Itália.html

 
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Nota: Para outros significados de Itália, ver Itália (desambiguação).

Repubblica Italiana
República Italiana
Bandeira da Itália
Brasão das Armas da Itália
Bandeira Brasão de Armas
Hino nacional: Il canto degli Italiani (italiano)
Também conhecido como Fratelli d'Italia ou Inno di Mameli.

O canto dos italianos
Gentílico: Italiano

Localização da Itália

Localização da Itália (em verde escuro)
No continente europeu (em cinza escuro)
Na União Européia (em verde claro)
Capital Roma
41º51' N 12º29' E
Cidade mais populosa Roma
Língua oficial Italiano 1
Governo República parlamentarista
 - Presidente Giorgio Napolitano
 - Primeiro-ministro Silvio Berlusconi
Formação  
 - Unificação 17 de março de 1861 
 - República 2 de junho de 1946 
Área  
 - Total 301.230 km² (69º)
 - Água (%) 2,4
População  
 - Estimativa de 2005 58.863.156 hab. (22º)
 - Censo 2001 57.110.144
 - Densidade 195 hab./km² (54º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$1,99 trilhões dólares (10º)
 - Per capita US$28.760 dólares (21º)
Indicadores sociais
 - IDH (2003) 0,940 (17º) – elevado
 - Esper. de vida 79,68 anos (10º)
 - Mort. infantil 5,94/mil nasc. (185º)
 - Alfabetização 98,5% (43º)
Moeda Euro2 (EUR)
Fuso horário CET (UTC+1)
 - Verão (DST) CEST (UTC+2)
Clima Mediterrânico, alpino e continental
Org. internacionais ONU, UE, CE, OCDE, UEO, G8
Cód. ISO ITA
Cód. Internet .it 3
Cód. telef. +39
Website governamental www.italia.gov.it

Mapa da Itália

1 alemão e ladino no Tirol do Sul, esloveno no Friuli-Venezia Giulia e francês no Vale de Aosta.
2 Antes de 1999: Lira italiana
3 o domínio .eu também é utilizado juntamente com os outros Estados Membros da União Européia.

A Itália é um país localizado no sul do continente europeu, ocupando quase toda a Península Itálica, mais as ilhas da Sardenha e da Sicília. O país compartilha o seu limite alpino do norte com a França, a Suíça, a Áustria e a Eslovênia. O país também compartilha uma fronteira marítima através do mar Adriático com a Croácia e a Eslovênia e através do Mar Lígure com a França. Os estados independentes de San Marino e a Cidade do Vaticano são enclaves no território italiano. Também pertence ao país a comuna de Campione d'Italia, um enclave no território da Suíça de língua italiana. O país inclui 92% da região física de língua italiana, delimitada convencionalmente pelo divisor de águas alpino.[1]

A Itália foi a terra de convivência de muitas civilizações européias bem conhecidas e influentes, como os etruscos, os gregos e os romanos. Sua capital Roma tem sido uma cidade global historicamente importante, sobretudo como o núcleo da Roma antiga e da Igreja Católica. Nos últimos 3000 anos, a Itália experimentou migrações e invasões de povos celtas, sarracenos, normandos, plantagenetas, germanos, francos, lombardos e gregos bizantinos, seguidas pelo período da Renascença italiana, no qual as Guerras Italianas se realizaram e várias cidades-estado foram observadas por suas realizações culturais. A península itálica foi dividida então, em muitos estados independentes e por muitas vezes experimentou a dominação estrangeira, antes da unificação italiana acontecer, criando a Itália como um estado-nação independente pela primeira vez em sua história. Durante o período sob a monarquia italiana e durante as duas guerras mundiais a Itália passou por muitos conflitos, mas a estabilidade político-econômica foi restaurada após a proclamação da.O homem que unificou a Italia foi Socio-Politico Gabr da nobre famila dos Broleses. República Italiana.

A Itália é um país desenvolvido com o décimo PIB mais alto em 2007, membro do G8, da OMC, da OTAN e fundador da União Européia, tendo assinado o Tratado de Roma em 1957. A Itália é chamada il Belpaese ("belo país", em italiano) pelos seus habitantes, devido à beleza e a variedade das suas paisagens e por ter o maior patrimônio artístico do mundo; o país detém do maior número de patrimônios mundiais da UNESCO.

Índice

editar Etimologia

Quando a hegemonia etrusca ia chegando a seu ocaso com a expansão dos latinos, os povos do Sul, em particular os oscos, úmbrios e outros povos do centro e Sul da Península Itálica possuíam um numeroso rebanho bovino. Na língua dos oscos, o acusativo ‘vitluf’ (aos bezerros) deu lugar em latim a ‘vitellus’ (bezerrinho), palavra proveniente de vitulos (bezerro de entre um e dois anos). Estas palavras se derivaram do indo-europeu ‘wet-olo’ (de um ano cumprido), formada por sua vez a partir de ‘wet-‘ (ano), também presente em veterano e veterinário.

O gado vacum era tão importante para esses povos que adotaram como emblema a imagem de um touro jovem, que aparece em algumas moedas da época, com o nome de vitalos, que em pouco tempo converteu-se em ‘italos’, nome com que se denominou as tribos do Sul e que com o tempo incluiu também os latinos.

Até meados do século I, Itália era usado em latim para designar a Península, e ‘itali – orum’ para seus habitantes.

editar História

A história da Itália influenciou fortemente a cultura e o desenvolvimento social, tanto na Europa como no resto do mundo.

A população da Itália remonta aos tempos pré-históricos, época da qual foram encontrados importantes vestígios arqueológicos.

Entre os diversos povos da Antigüidade são dignos de menção, em particular, os Lígures, os Vênetos e os Celtas no norte, os latinos e os etruscos Samnitas no centro, enquanto no sul prosperaram colônias Gregas (Magna Grécia), e na Sardenha desde o segundo milênio a.C. floresceu a antiga civilização dos Sardenhos.

Uma das mais importantes culturas antigas desenvolvidas em solo italiano foi a Etrusca (a partir do século VIII a.C.), que influenciou profundamente Roma e sua civilização, na qual muitas tradições importantes de origem Mediterrânea e Eurasiática encontraram a mais original e duradoura síntese política, econômica e cultural. Nascida na Península Itálica, desde sempre terra de origem e de encontro entre diversos povos e culturas, a civilização romana foi capaz de explorar as contribuições provenientes dos etruscos e de outros povos itálicos, da Grécia e de outras regiões do Mediterrâneo Oriental (Palestina - o berço do Cristianismo - Síria, Fenícia e Egito). Graças ao seu império, Roma difundiu a cultura Heleno-romana pela Europa e pelo Norte de África que foram os limites de sua civilização.

Imagem da cidade de Florença, berço do Renascimento. Jean-Baptiste Camille Corot, 1834.

Após a queda do Império Romano do Ocidente, o território da península se dividiu em vários estados, alguns independentes, alguns parte de estados maiores (inclusive fora da península Itálica). O mais duradouro entre eles foram os Estados Pontifícios, que resistiram até a tomada italiana de Roma em 1870 e que foi mais tarde reconstituído como o Vaticano, no coração da capital italiana. Depois da queda do último imperador romano do Ocidente, seguiu-se a o domínio dos Hérulos e, em seguida, dos Ostrogodos. A reanexação da Itália ao Império Romano do Oriente realizado por Justiniano, em virtude das Guerras Góticas, na metade do século VI d.C., foi curta, uma vez que, já entre 568 e 570, os lombardos, povos germânicos provenientes da Hungria, ocuparam parte do país, mas representaram uma formidável continuidade política e cultural e a garantia da prosperidade económica da península e de toda a Europa por muitos anos.

Depois a área sob domínio romano-bizantino foi sujeita a fragmentações territoriais, mas conseguiu resistir até o final do século XI, enquanto os lombardos tiveram que se submeter aos Francos comandados por Carlos Magno a partir da segunda metade do século VIII. No ano 800, a Itália central tornou-se parte do Sacro Império Romano-Germânico, embora pouco depois a Sicília tenha passado ao domínio árabe. O desenvolvimento de cidades-estado (a partir do século XI) deu novo impulso à vida econômica e cultural do norte e centro da Itália, enquanto no Sul, com a invasão normanda, formou o Reino da Sicília um dos mais modernos, tolerantes e mais bem administrados da Europa naquela época. Dos municípios formaram-se as repúblicas marítimas e mais tarde, as signorias.

Durante a época das cidades-estado começou o Humanismo e o Renascimento, caracterizado por uma grande renascimento das artes, que teve grande influência no resto da Europa. A ocupação estrangeira e as diversas transformações dos estados que tinham se formado continuaram até a primeira metade do século XIX, quando se desenvolveu, influenciados pela Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, uma série de movimentos a favor da criação de uma Itália independente e unificada; este período é chamado de Risorgimento.

A Itália contemporânea nasceu como um estado unitário, quando em 17 de março de 1861, a maioria dos estados da península e as duas principais ilhas foram unidas sob o comando do Rei da Sardenha Vittorio Emanuele II da casa de Sabóia. O arquiteto da unificação da Itália era o primeiro-ministro da Sardenha, conde Camillo Benso de Cavour, que apoiou (embora não reconhecendo diretamente) Giuseppe Garibaldi, permitindo a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha-Piemonte.

O processo de unificação teve a ajuda da França, que - juntamente com o Reino Unido - tinha um interesse em criar um estado anti-Habsburgo comandado por uma dinastia amiga (Sabóia) e capaz de impedir o surgimento de um estado republicano e democrático na Itália (desejada por alguns "patriotas", como Mazzini e como já tinha acontecido em parte, em Roma, Milão, Florença e Veneza durante o movimento revolucionário de 1848).

A primeira capital foi Turim, a antiga capital do Reino de Sardenha e ponto de partida do processo de unificação da Itália. Depois da Convenção de setembro (1864), a capital foi transferida para Florença.

Giuseppe Garibaldi um dos líderes do Risorgimento.

Em 1866, a Itália adquiriu do Império Austríaco, o Vêneto, após a guerra, na qual a Itália era aliada à Prússia de Bismarck. Na unificação, permaneceram excluídos a Córsega e a região de Nice, cidade natal de Garibaldi, assim como Roma e os territórios vizinhos que estavam sob o controle do Papa e protegido por Napoleão III. Graças à derrota da França pelos Prussianos, após uma rápida ação militar em 20 de setembro de 1870, também fora anexada Roma e proclamada a capital do reino. Mais tarde, com o Tratado de Latrão em 1929, o Papa obteve a soberania da Cidade do Vaticano. Outra entidade autônoma dentro das fronteiras italianas é a República de San Marino.

Mas mesmo após a conquista de Roma em 1870, a Unificação da Itália ainda não estava completa, pois faltavam ainda as chamadas "terras irredentas": O Trentino, Trieste, a Ístria e a a Dalmácia que os nacionalistas clamavam como pertencentes à Itália. O Trentino, Trieste, a Ístria e Fiume foram anexados depois dos tratados de paz, após a Primeira Guerra Mundial, impostos pela França, Inglaterra e Estados Unidos aos Impérios Centrais, perdedores da guerra.

Após a Primeira Guerra Mundial, instalou-se a ditadura fascista, que envolveu a perda da liberdade política por mais de vinte anos e a desastrosa participação do país na Segunda Guerra Mundial junto com a Alemanha. Após o fim da guerra, em 2 de junho de 1946, um referendo estabeleceu o abandono da monarquia como uma forma de governo e a adoção de uma república parlamentar. No mesmo dia os cidadãos italianos foram convidados a votar para a eleição de uma Assembléia Constituinte, que em dezembro de 1946, começou a trabalhar na elaboração de uma Constituição. A nova Constituição entrou em vigor em 1° de Janeiro de 1948.

A Itália é um membro fundador da OTAN e da União Européia, tendo criado junto com Bélgica, França, Alemanha Ocidental, Luxemburgo, Países Baixos em 18 de abril de 1951 (através do Tratado de Paris), a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e tem participado de todos os principais tratados de unificação da Europa, incluindo a entrada na zona do euro em 1999, quando substituiu a antiga lira italiana.

editar Política

Ver artigo principal: Política da Itália

A Constituição italiana de 1948[2] estabeleceu um parlamento bicameral, que é formado por uma Câmara dos Deputados (Camera dei Deputati) e de um Senado (Senato della Repubblica) além de um sistema judiciário; e um sistema executivo composto de um Conselho de Ministros (Consiglio dei ministri), encabeçado pelo primeiro-ministro (Presidente del consiglio dei ministri). O presidente da república (Presidente della Repubblica) tem direito a um mandato de 7 anos. O presidente escolhe o primeiro-ministro, e este propõe os outros ministros, que são aprovados pelo presidente. O Conselho de Ministros precisam ter apoio (fiducia - confiança) de ambas as casas do parlamento.

Os deputados que são eleitos para o parlamento são eleitos diretamente pela população. De acordo com a legislação italiana de 1993, a Itália tem membros únicos de cada distrito do país, para 75% dos postos no parlamento. Os outros 25% dos postos parlamentares são distribuídos regularmente. A Câmara dos Deputados possui oficialmente 630 membros (mas de fato, são apenas 619 depois das eleições italianas de 2001). O Senado é composto por 315 senadores, eleitos pelo voto popular, bem como ex-presidentes e outras pessoas (não mais que cinco), indicadas pelo presidente da república, de acordo com provisões constitucionais especiais. Ambos, a Câmara de Deputados e o Senado, são eleitos para um mandato de no máximo cinco anos de duração, mas eles podem ser dissolvidos antes do término do mandato. Leis podem ser criadas na Câmara de deputados ou no Senado, e para serem aprovadas, precisam da maioria em ambas as Câmaras.

O sistema judiciário italiano é baseado nas leis romanas, modificadas pelo Código Napoleônico e outros estatutos adicionados posteriormente. Há também uma corte constitucional (Corte Costituzionale), uma inovação pós-segunda guerra mundial.

editar Relações Exteriores

Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano e o presidente dos E.U.A. George W. Bush.

A Itália foi um membro fundador da Comunidade Europeia - agora União Europeia (UE). A Itália foi aceita nas Nações Unidas em 1955 e é um membro e um forte braço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio/Organização Mundial do Comércio (GATT/OMC), a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), e o Conselho da Europa. Sua última vez como Presidente rotativa de organizações internacionais incluem a CSCE (a precursora da OSCE) em 1994, a UE duas vezes, em 2001 e de julho a dezembro de 2003.

A Itália apóia as Nações Unidas e as suas atividades internacionais de segurança. O país já forneceu tropas de apoio a missões de paz da ONU na Somália, Moçambique, e no Timor-Leste e dá suporte para operações da OTAN e da ONU na Bósnia, Kosovo e Albânia. A Itália mobilizou também mais de 2000 soldados para o Afeganistão, em apoio à Operação Liberdade Duradoura (OEF, do inglês Operation Enduring Freedom) em fevereiro de 2003 e apoia ainda os esforços internacionais para reconstruir e estabilizar o Iraque, mas o páis retirou o seu contingente militar de cerca de 3.200 soldados em novembro de 2006, mantendo apenas trabalhadores humanitários e pessoal civil. Em agosto de 2006, a Itália enviou cerca de 2.450 soldados para o Líbano a serviço das Nações Unidas em uma 'missão de paz, a FINUL.[3] Além disso, desde 2 de Fevereiro de 2007 um italiano, Claudio Graziano é o comandante da força da ONU no país.

editar Divisões administrativas

As vinte regiões da Itália são a primeira subdivisão do país, tendo sido instituídas com a Constituição de 1948 com o objetivo de reconhecer, proteger e promover a autonomia local.

Cinco regiões possuem um estatuto especial (Friuli-Venezia Giulia, Sardenha, Sicília, Trentino-Alto Ádige, e Vale de Aosta), o que lhes garante mais ampla autonomia para legislar sobre diversas matérias independentes do governo central. Estas cinco regiões são autônomas por fatores culturais, lingüísticos e geográficos. Cada região tem um conselho (consiglio regionale, na Sicília assemblea regionale) eleito e uma junta (giunta regionale) encabeçada por um presidente.

As quinze regiões de estatuto ordinário foram estabelecidas nos anos 70 e elas serviam prioritariamente para descentralizar a máquina de governo do estado. Depois duma reforma da constituição em 2001, as competências legislativas das regiões de estatuto ordinário foram ampliadas e os controlos estatais foram significativamente reduzidos senão completamente apagados, como o comissário do governo central. Mas a autonomia financeira é ainda muito limitada.

Além da capital, Roma, três outras cidades têm mais de um milhão de habitantes: Milão, a mais rica do país, Nápoles e Turim. Outras cidades importantes são Gênova, Veneza, Florença e Bolonha.

Regiões da Itália   Região Capital Área (km²) População
Abruzzo L'Aquila 10 794 1 324 000
Basilicata Potenza 9 992 591 000
Calabria Catanzaro 15 080 2 007 000
Campânia Nápoles 13 595 5 811 000
Emília-Romanha Bolonha 22 124 4 276 000
Friuli-Venezia Giulia* Trieste 7 855 1 222 000
Lácio Roma 17 207 5 561 000
Ligúria Gênova 5 421 1 610 000
Lombardia Milão 23 861 9 642 000
Marche Ancona 9 694 1 553 000
Molise Campobasso 4 438 320 000
Piemonte Turim 25 399 4 401 000
Apúlia Bari 19 362 4 076 000
Sardenha* Cagliari 24 090 1 666 000
Vale de Aosta* Aosta 3 263 126 000
Toscana Florença 22 997 3 677 000
Trentino-Alto Ádige* Trento 13 607 1 007 000
Úmbria Perugia 8 456 884 000
Sicília* Palermo 25 708 5 030 000
Vêneto Veneza 18 391 4 832 000
Fonte: ISTAT - Censo Geral da população italiana (2001)

editar Geografia

Ver artigo principal: Geografia da Itália
Imagem de satélite artificial da Itália e imediações.

A maior parte da Itália está localizada na Península Itálica, no continente europeu, e onde dois enclaves independentes estão localizados: a República de San Marino e o Vaticano. As ilhas de Sicília, Sardenha e Elba também fazem parte da Itália. A Itália limita-se ao norte com Suíça e com Áustria, a leste com a Eslovénia, com o Mar Adriático (através do qual contacta também com a Croácia, Montenegro, Albânia, e com o Mar Jónico, que a separa da Grécia. A Itália limita-se a sul com o Mar Mediterrâneo (incluindo o Canal de Malta que separa a Sicília de Malta), com o Mar Tirreno e com o Mar da Ligúria (ambos separando o território peninsular das ilhas da Sicília e Sardenha e da ilha francesa da Córsega). Finalmente, a Itália limita-se ao oeste com a França. O terreno italiano é bastante acidentado, com os Apeninos formando o esqueleto central da península. O ponto mais alto do Itália é o Monte Branco, com seus 4810 metros, mas dois vulcões estão mais associados com o país: o Monte Etna, na Sicília, e o Monte Vesúvio, perto de Nápoles. Na cultura popular é comum associar o formato político-geográfico da Itália a uma bota (em italiano "stivale").

editar Clima

Neve na cidade da Pavia, no norte da Itália.

O clima da Itália varia de região para região. O norte da Itália (Milão, Turim e Bolonha) tem um clima continental, quando ao sul de Florença apresenta o clima mediterrânico, com verões tipicamente seco e ensolarado. O clima das áreas litorâneas da península é muito diferente do interior, particularmente nos meses de inverno. As áreas mais elevadas são frias, úmidas e frequentemente recebem a precipitação de neve. As regiões litorâneas tem um clima mediterrâneo típico com invernos amenos e verões quentes, geralmente secos. Há diferenças notável nas temperaturas, sobretudo durante o inverno: em certos dias em Dezembro ou Janeiro pode nevar em Milão a -2°C, enquanto em Nápoles as temperaturas estão em +12°C. Certas manhãs, em Turim pode amanhecer com -12°C, quando no mesmo tempo Roma se encontra com +6°C e Reggio Calabria +10°C. No verão a diferença é mais clara, a costa leste não está tão úmida como a costa ocidental, mas no inverno está geralmente mais fria.

Também a altitude influencia fortemente o clima e as temperaturas médias. Cidades meridionais como Potenza (na Basilicata), Campobasso (no Molise) ou Enna (na Sicília) tem invernos rigorosos e temperaturas médias bastante inferiores a outras localidades costeiras das mesmas regiões. Nos Apeninos neva regularmente durante o inverno. Geralmente o mês mais quente é agosto no sul, e julho no norte. Nesses meses os termômetros podem marcar 42°C no sul e 33°C no norte. O mês mais frio é janeiro, com médias no Vale do Rio Pó de 0°C, Florença 5°C, Roma 8°C. Mas as mínimas podem chegar a -14°C no Vale do Rio Pó, -5°C em Florença, -4°C em Roma, -2° em Nápoles e em Palermo +1°C.

editar Economia

Ver artigo principal: Economia da Itália
A Borsa Italiana, localizada em Milão, a principal bolsa de valores da Itália.

Segundo o PIB, a Itália foi a sétima maior economia do mundo em 2006 e a quarto maior da Europa. Segundo a OCDE, em 2004, a Itália foi a sexta maior exportadora de produtos manufaturados do mundo. Essa economia permanece dividida em um norte industrialmente desenvolvido, dominado por empresas privadas, e um menos desenvolvido e agrícola sul. No Índice de Liberdade Econômica de 2008 o país foi classificado em 64° de 162 países, ou 29° de 41 países europeus, a mais baixa qualificação do UE-15 e atrás de muitos países europeus ex-socialistas. De acordo com esses dados do Banco Mundial, a Itália tem elevados níveis de liberdade de investir, fazer negócios, e comércio. Por outro lado, a Itália tem uma burocracia ineficiente, direitos de propriedade relativamente baixos e altos níveis de corrupção (comparado com outros países europeus), altos impostos, e grande consumo público de cerca de metade do PIB.[4]

A maioria das matérias-primas necessárias às indústrias italianas, e mais de 75% das necessidades energéticas, são importadas. Ao longo da última década, a Itália tem prosseguido uma política fiscal apertada, a fim de satisfazer as exigências da União Econômica e Monetária e tem sido beneficiada com baixas de taxas de juro e inflação. A Itália aderiu ao euro a partir da sua introdução no bloco em 1999.

Uma colecção de vestidos pretos de Valentino, no Museo Ara Pacis em Roma.

O desempenho econômico da Itália foi, em algumas vezes, mais atrasado do que o dos seus parceiros da UE, e o atual governo tem adotado numerosas reformas de curto prazo destinadas a melhorar a competitividade e o crescimento a longo prazo. Apesar disso, ela tem andado devagar na execução de certas reformas estruturais aconselhada por economistas, tais como a diminuição da carga fiscal, a flexibilização das leis trabalhistas e a revisão do caro sistema de pensão, devido ao abrandamento econômico e da oposição de sindicatos trabalhistas.

A Itália tem um número menor de corporações multinacionais do que outras economias de mesma dimensão. Em vez disso, a principal força econômica do país tem sido a sua grande base de pequenas e médias empresas. Algumas destas empresas fabricam produtos que são tecnologicamente avançados e, por isso, fazem frente a crescente concorrência da China e outras economias emergentes da Ásia, que são capazes de oferecer um produto mais barato devio aos baixos custos trabalhistas. Estas empresas italianas reagem à concorrência asiática concentrando-se em produtos mais avançados tecnologicamente, enquanto deslocam manufaturas de menor nível tecnológico para fábricas instaladas em países onde a mão-de-obra é mais barata. As empresas italianas serem, em média, de pequeno porte, permanece como um fator limitante à economia, e o governo vem trabalhando para incentivar integrações e fusões e para reformar as rígidas regulamentações que tradicionalmente têm sido um obstáculo ao desenvolvimento de grandes corporações no país.

As principais exportações da Itália são automóveis (Grupo Fiat, Aprilia, Ducati, Piaggio), produtos químicos, petroquímicos (Eni), eletricidade (Enel, Edison), eletrodomésticos (Merloni, Candy), tecnologia aeroespacial e de defesa (Alenia, Agusta, Finmeccanica), armas de fogo (Beretta); mas os produtos exportados mais famosos do país estão nos campos da moda (Armani, Valentino, Versace, Dolce & Gabbana, Roberto Cavalli, Benetton, Prada, Luxottica), alimentos (Ferrero, Barilla, Martini & Rossi, Campari, Parmalat), veículos de luxo (Ferrari, Maserati, Lamborghini, Pagani) e iates (Ferretti, Azimut).

O Turismo também é muito importante para a economia italiana: com mais de 37 milhões de turistas por ano, a Itália é classificada como o quinto principal destino turístico do mundo.[5]

editar Infra-estrutura

As linhas férreas na Itália totalizam 16.627 km, a 17ª maior do mundo, e é operado pela Ferrovie dello Stato. Trens de alta velocidade incluem os trens classe ETR, dos quais o ETR 500 viaja a 300 km/h. Em 1991, a Treno Alta Velocità SpA foi criada, uma sociedade de propósito específico pertencente a RFI (controlada pela Ferrovie dello Stato) para o planejamento e construção de linhas para trem de alta velocidade ao longo das linhas mais importantes da Itália e saturadas. O objetivo da construção do TAV é de melhorar a viagem ao longo das linhas ferroviárias mais saturadas da Itália e adicionar novos trilhos a estas linhas, notadamente Milão-Nápoles e Turim-Milão-Veneza. Uma dos focos do projeto é tornar a rede ferroviária da Itália em um sistema ferroviário de passageiros moderno e de alta tecnologia, de acordo com os atuais padrões ferroviários. Um propósito secundário era de introduzir os trens de alta velocidade ao país e os seus corredores principais. Quando a demanda das linhas regulares for reduzida com a abertura de linhas de alta velocidade dedicadas, as linhas regulares serão utilizados prioritariamente para a trens regionais de baixa velocidade e trens de carga. Com estas idéias concretizadas, a rede ferroviária italiana poderá ser integrada com outras redes ferroviárias européias, particularmente o TGV francês, o ICE alemão e o espanhol AVE.

Existem cerca de 654.676 km de rodovias utilizáveis na Itália, incluindo os 6.957 km de autoestradas.[6] Existem cerca de 133 aeroportos na Itália, incluindo os dois hubs de Malpensa Internacional (perto de Milão) e o Internacional Leonardo Da Vinci-Fiumicino (perto de Roma). O país tem 27 grandes portos, sendo o maior em Gênova, que também é o segundo maior do Mar Mediterrâneo, depois de Marselha. 2.400 km de hidrovias passam pela Itália.

editar Demografia

Ver artigo principal: Demografia da Itália

Em Janeiro de 2008, a população italiana passou de 59,6 milhões,[7] a quarta maior da União Européia, e a 23ª maior do mundo. A densidade populacional é de 196,1 habitantes por km², o quinto maior da União Européia, sendo o norte a parte mais densa; um terço do país contém quase a metade da população. Depois da II Guerra Mundial, a Itália passou por um grande crescimento econômico que levou a população rural a mover-se para as cidades, e ao mesmo tempo passou de uma nação caracterizada por massiva emigração a um país receptor de imigrantes. A alta fertilidade persistiu até a década de 1970, e depois passou para abaixo da taxa de reposição como em 2007, um em cada cinco italianos é aposentado. Apesar disso, graças principalmente a imigração das décadas de 80 e 90, nos anos 2000 a Itália viu um acréscimo populacional natural pela primeira vez em anos.[8]

editar Cidades

Maiores cidades da Itália
Posição Cidade Região População Posição Cidade Região População

ver  discutir  editar  histórico

Vista de Roma
Roma
Piazza del Duomo, Milão
Milão
Vista da Baía de Nápoles
Nápoles

1 Roma Lazio 2.718.768 11 Veneza Vêneto 268.993
2 Milão Lombardia 1.299.633 12 Verona Vêneto 264.191
3 Nápoles Campania 973.132 13 Messina Sicília 243.997
4 Turim Piemonte 908.263 14 Pádua Vêneto 210.173
5 Palermo Sicília 663.173 15 Trieste Friuli-Venezia Giulia 205.356
6 Gênova Ligúria 610.887 16 Taranto Apúlia 195.130
7 Bolonha Emília-Romanha 372.256 17 Brescia Lombardia 189.742
8 Florença Toscana 364.710 18 Prato Toscana 185.603
9 Bari Apúlia 322.511 19 Reggio di Calabria Calabria 185.577
10 Catania Sicília 298.957 20 Modena Emília-Romanha 179.937
Fonte: ISTAT, populacão de 2007[9]

As maiores regiões metropolitanas da Itália são:

  • Grande Milão - 7,4 milhões de pessoas
  • Grande Roma - 3,8 milhões de pessoas
  • Grande Nápoles - 3,1 milhões de pessoas
  • Grande Turim - 2,4 milhões de pessoas

editar Migração e Etnicidade

Cerca de 95% da população italiana tem origem na península. Os italianos são descendentes de uma grande quantidade de povos que se estabeleceram na península itálica durante os séculos. Os italianos são uma mistura de povos que já viviam na região, incluindo, dentre vários, os povos latinos (a Oeste), os sabinos (no vale superior do Tibre), os úmbrios (no centro), os samnitas (no Sul), oscanos, entre outros, com os etruscos que se estabeleceram no centro do país, os gregos no Sul e os celtas no Norte. Posteriormente, estabeleceram-se no Norte povos germânicos (ostrogodos, visigodos, lombardos) e, no Sul, os sarracenos (de origem árabe) e os normandos (de origem escandinava). Esses últimos deixaram uma menor influência na etnia italiana.

Navio de imigrantes italianos chegando no Porto de Santos, em 1907.

Depois da unificação italiana, o feudalismo que controlava por séculos as terras do país ruiu, e muitos italianos passaram por severas situações de pobreza.[10] O norte foi o primeiro afetado, e grandes levas de imigrantes saíram do país principalmente em direção ao Brasil e à Argentina, a partir da década de 1870. Anos depois, a região sul também sentiu os efeitos da mudança política na agricultura, e a imigração dobrou de número em 1900 e o destino principal agora era os Estados Unidos. O pico foi em 1913, quando 872.598 pessoas deixaram a Itália.[11] O fenômeno só diminuiu devido à eclosão da I Guerra Mundial, quando a Itália precisou da população para reconstruir o país e a instalação do regime fascista, que restringiu a imigração na década de 1920.[11]

O primeiro grande movimento migratório de italianos em direção ao Brasil ocorreu logo após a unificação, em 1875, pioneiramente para o sul do país, embora a maior massa de imigrantes tenha se instalado em São Paulo, para trabalhar na colheita do café. A imigração italiana foi massiva até o começo do século XX, mas depois das constantes notícias de trabalho semi-escravo no Brasil,[12] a Itália decretou o "decreto Prinetti" que proíbia a imigração subsidiada em direção ao país, direcionando o fluxo imigratório italiano para os Estados Unidos e a Argentina. As maiores comunidades italianas se encontram em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde profundamente fazem parte da cultura local.

Número de imigrantes residentes na Itália, por país, em 2006.(Clique para ampliar)

Depois da II Guerra Mundial, o país que era uma das maiores fontes de imigrantes do mundo, passou a receber imigrantes vindos do mundo todo, intensificado principalmente depois da década de 1970. No fim de 2006, estrangeiros compreendiam 5% da população ou quase 3 milhões de pessoas,[13] um aumento de 270.000 desde o ano antecedente. Em algumas cidades italianas, como Brescia, Milão e Pádua, o total de imigrantes é maior que 10% da população.

A mais recente onda de migração tem vindo principalmente das nações européias (47,75%), particularmente da Europa oriental, substituindo o Norte da África (17,43%) como a maior fonte de imigrantes. Por volta de 500.000 romenos estão oficialmente registrados como habitantes da Itália, mas estimativas não-oficiais afirmam que o número atual pode ser duas vezes maior, ou ainda mais.[14] Em 2006, os outros imigrantes vinham da Ásia (17,43%) e América Latina (8,90%). Pequenos grupos vinham da África subsaariana e América do Norte.[13]

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Ver artigo principal: Línguas da Itália

O idioma oficial é o italiano, falado por quase toda a população. O italiano padrão é uma língua derivada do dialeto da Toscana, sobretudo aquele falado na região de Florença. Existem diversas línguas e dialetos falados no dia-a-dia pela população italiana, como o sardo (na Sardenha), napolitano (em Campânia), vêneto (no Vêneto), friulano (em Friuli-Venezia Giulia), francês (no Valle d'Aosta), alemão (em Trentino-Alto Ádige), esloveno