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A língua basca (em basco euskara ou euskera) é um idioma falado em regiões da Espanha (País Basco e Navarra) e do extremo sudoeste da França (região de Miarritze, Baiona, Maule-Lextarre, Donapaleu). Esta língua já era falada muito antes dos romanos introduzirem o latim na Península Ibérica. Por não ter línguas aparentadas conhecidas, o basco é claramente diferente das outras línguas europeias, particularmente aquelas (que são a grande maioria) que têm relações de parentesco entre si no interior da família indo-europeia. À conta disso, criaram-se a seu respeito um grande número de idéias sem embasamento linguístico, tais como: o basco é a língua mais complexa do mundo; ninguém para além dos próprios bascos consegue aprender a língua; todos os verbos são passivos; e muitas outras imprecisões. A sua estrutura sentencial é praticamente idêntica à do turco ou do japonês. Sua morfologia é, essa sim, de um tipo bastante incomum na Europa, mas fora da Europa podem ser encontrados sistemas morfológicos semelhantes ao do basco em centenas de outras línguas. Também chamada de vasconço em alguns dicionários de língua portuguesa, que lhe atribuem também a significação de linguagem incompreensível, ininteligível. Em castelhano, também é denominada vascuence.
editar Distribuição geográficaA região na qual o basco é falado é referida pelos seus falantes como Euskal Herria, ou seja, país dos Bascos, abrangindo os actuais País Basco e Navarra na Espanha (a região Hegoalde ou País Basco do Sul) e três províncias do departamento francês dos Pirenéus-Atlânticos (a região Iparralde ou País Basco do Norte). Segundo José Miguel de Barandiaran (Fundación José Miguel de Barandiaran), a arqueologia e a linguística histórica basca coincide e relaciona-se com a migração sazonal de rebanhos em busca de prados nos pirinéus, na bacia do Rio Ebro, na região da Aquitânia, fornecendo-nos a génese dos nomes bascos nessas regiões. Baseando-se em Luis Michelena, um dos mais conceituados linguístas do idioma basco, afirma que a língua era já falada há cerca de 6000 anos A.C., a sul e a leste da Aquitânia até a região da Catalunha (comprovado com inscrições e nomes de locais). Assim, a partir do século sexto A.C. a cultura indo-europeia sobrepôs-se às outras culturas pré-indo-europeias, extinguindo as outras línguas da Europa, com excepção do basco. editar História e classificaçãoAs origens do ancestrais dos bascos permanecem desconhecidas, assim como as origens de sua língua. A maioria dos académicos consideram o basco uma língua isolada. Inscrições latinas na Aquitânia preservam várias palavras com cognatos em proto-basco, por exemplo o nome pessoal Nescato (neskato significa menina jovem, moça em basco moderno). Essa língua proposta é chamada "aquitaniano" e era presumivelmente falada antes dos romanos levarem o latim para oeste dos Pirenéus. A negligência romana com estas terras distantes permitiu ao basco aquitaniano sobreviver enquanto as línguas ibérica e tartessiana desapareceram. O basco adquiriu alguns vocábulos latinos, mas o latim da região desenvolveu-se para o gascão (um ramo do occitano) e para o romance navarro. Supondo que as fronteiras entre as regiões do basco e do gascão sejam mais difusas que entre as do basco e do castelhano, assume-se frequentemente que as origens do basco provêm da Aquitânia, migrando em seguida para o sul. A Reconquista Católica, partindo das Astúrias para o sul, provocou, por seu turno, ao desenvolver-se através da região de Navarra, importantes sistematizações no povoamento, na organização político-militar e, consequentemente, na língua dos territórios "vascongados", Alava, Biscaia e Guipúzcoa, incluídos no ducado. editar Hipóteses de ligações com outras línguasNa impossibilidade de relacionar o basco com as vizinhas línguas indo-europeias, estudiosos procuram ligações com famílias lingüísticas geograficamente distantes. Para ter uma idéia dos estudos propostos indicam-se algumas dessas hipóteses: Ibero: outra língua antiga falada na Península Ibérica antes dos romanos, com semelhanças genéticas entre aquitano e basco. Georgiano: A hipótese georgiana baseava-se no reino de Kartli, no sul do caucaso, a que os gregos e romanos denominavam Ibéria. Igualmente polémicas as hipóteses que sugerem uma ligação com línguas tão distantes como as Dené-Caucasianas que incluem línguas dos nativos do norte da América e Eurásia. Línguas Vasconicas: Esta teoria, proposta pelo linguista germânico Theo Vennemann, basea-se na evidencia toponimica para concluir que os bascos são os únicos sobreviventes de uma grande família espalhada pela Europa e que teriam deixado a sua marca nas actuais línguas indo europeias. editar Estatuto oficialO basco tem o status de língua oficial nas regiões bascas da Espanha (País Basco e Navarra), enquanto carece deste reconhecimento na França. editar Dialetos
Dialetos Bascos.
Verificam-se atualmente oito dialetos, os quais não se confundem com as divisões políticas. Um dos primeiros estudos científicos do basco foi feito por Louis-Lucien Bonaparte (um descendente de Napoleão). editar Línguas derivadasExiste atualmente uma versão unificada do Euskara (basco) chamada batua ("unificado" em basco), a qual é o idioma ensinado nas escolas. O batua baseia-se principalmente no dialecto regional de Gipuzkoa. editar GramáticaO basco tem algumas formas gramaticais incomuns na Europa, como o chamado ergativo, que força o acréscimo de um -k ao sujeito quando há um verbo transitivo. O verbo auxiliar também reflecte o número do objecto directo, de tal forma que o verbo auxiliar pode conter muita informação (sobre o sujeito, o número do objecto directo, se é singular ou plural, e o objecto indirecto). Dentre as línguas europeias, este sistema (inflexão do verbo auxiliar) encontrado-se apenas no basco e em algumas línguas do Cáucaso, como o georgiano. Por exemplo, na frase:
que significa "Martin compra os jornais para mim", Martin-ek é o sujeito (mais exactamente, um ergativo), por isto tem a terminação -k. Egunkariak tem uma terminação em -ak a qual marca o plural do objecto (plural absolutivo, para ser exacto). O verbo é erosten dizkit, no qual erosten é um tipo de gerúndio ("comprando") e o auxiliar dizkit indica:
O basco faz distinção entre as consoantes sibilantes laminais (z, tz), nas quais a fricção ocorre na superfície da língua (como no "s" nas línguas francesa e inglesa), e sibilantes apicais (s, ts) onde a fricção acontece na na ponta da língua (como no "s" castelhano). Também possui sibilantes palatais (x, tx, que soam como no português ch e tch, respectivamente). Sons palatais (explosivos: tt /c/, dd /ɟ/; sibilantes: x /ʃ/, tx /tʃ/; nasais: ñ /ɲ/; laterais: ll /ʎ/) são típicos de diminutivos, que são freqüentes em linguagem infantil e materna (mais para mostrar afeto). Ex.:, tanta ("gota") e ttantta (gotícula). Umas poucas palavras comuns, tais como txakur ("cachorro"), usam sons palatais mesmo tendo perdido, no uso comum, a sua característica de diminutivo; as formas correspondentes não-palatais actualmente têm um sentido aumentativo ou pejorativo: zakur ("cachorrão"). Muitos dialectos do basco exibem um efeito de palatalização derivado no qual as consoantes que iniciam no osso frontal são mudadas para sua correspondente palatal depois da vogal frontal alta [i]. Por exemplo, o som [n] na palavra [egin] (agir) torna-se um palatal [ñ] quando o sufixo -a é acrescido, transformando /egina/ em [egiña] (a ação). A letra j é pronunciada como [j], [ʝ], [ɟ], [ʒ] ou mesmo [χ] de acordo com a região ([χ] é típico do País Basco espanhol). O sistema de vogais é o mesmo do espanhol para a maioria dos falantes, com 5 vogais /a, e, i, o, u/. Acredita-se que o espanhol herdou este sistema do basco. Falantes do dialeto Souletino também tem uma 6-a vogal, frontal e arredondada, representada na escrita como ü mas soando como o francês eu [ø] (ou o alemão ö) e não como no francês u (e alemão ü [y]). O basco mostra uma grande variação dialectal no acento tónico, desde uma tonicidade fraca nos dialectos centrais até uma forte tonicidade em outros dialetos, com padrões variados na colocação da tonicidade. Em geral, a tonicidade não é usada para distinguir (géneros, ou plurais, etc). No entanto, há situações onde a tonicidade é fonémica, servindo para diferenciar entre uns poucos pares de palavras acentuadas e entre algumas formas gramaticais (em geral plurais de outras formas). Ex.:, basóà ("a floresta", caso absolutivo) vs. básoà ("o copo", caso absolutivo; um empréstimo do espanhol vaso); basóàk ("a floresta", caso ergativo) vs. básoàk ("o copo", caso ergativo) vs. básoak ("as florestas" ou "os copos", caso absolutivo). Dada a grande variabilidade entre seus dialectos, a tonicidade não é indicada na ortografia padrão e a Euskaltzaindia (Academia Real da Língua Basca) apenas faz recomendações gerais para uma padronização no posicionamento da tonicidade, basicamente para posicionar um acento indicador de tonicidade fraca (mais fraca que aquela do espanhol) na segunda sílaba de um sintagma, e uma tonicidade normalmente menor na última sílaba, exceto em formas plurais, quando a tonicidade é deslocada para a primeira sílaba. Este sistema dá ao basco uma "musicalidade" distinta, que diferencia sua pronúncia dos padrões de prosódia do espanhol. Euskaldunberris ("novos falantes do basco", isto é, os que usam o basco como segunda língua) e que têm o espanhol como primeira língua tendem a transportar os padrões da prosódia espanhola para sua pronúncia do basco, dando origem a uma pronúncia bastante desprezada, insossa; ex.:, pronunciam nire ama ("minha mãe") como nire áma (- - ´ -), ao invés de niré amà (- ´ - `). editar Vocabulário
editar Citações"Um basco não é espanhol nem francês, é um basco." - Victor Hugo, escritor francês (1802-1885) "A língua Basca é o desespero dos eruditos e a mais misteriosa de todas as línguas conhecidas" - Aldous Huxley, escritor inglês (1894-1963) editar Ver tambémeditar Ligações externas
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