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Língua galega é o nome oficial em Espanha e na União Europeia do idioma natural da Comunidade Autónoma da Galiza. O galego fala-se na Galiza, na fronteira com as comunidades autónomas das Astúrias e Castela-Leão e nas comunidades de galegos emigrantes, como na Argentina, Cuba e no Uruguai (mais de três milhões de emigrantes galegos moram naqueles países). O galego pode ser visto como uma forma evoluída do galego-português, com algumas influências do castelhano e umas poucas formas e traços próprios inexistentes em português, uns próprios do galego-português original que desapareceram do português contemporâneo, outros fruto da evolução posterior do galego.
editar HistóriaO galego-português formou-se a partir do século IX, na antiga província romana da Gallæcia[1], como resultado da assimilação do latim vulgar falado pelos conquistadores romanos a partir do século II d.C. Incorporou também léxico de origens pré-celta, celta, basca, germânica, provençal. O galego esteve depois sujeito à influência do castelhano não somente léxico (incluindo arabismos, léxico ameríndia, e empréstimos linguísticos modernos), mas também certos traços fonéticos, assim como a ortografia oficial actual. No seu momento teve certo uso como língua culta, fora dos reinos da Galiza e de Portugal, nos reinos vizinhos de Leão e Castela. Escrevendo em galego, por exemplo, o rei castelhano Afonso X o Sábio, as suas "Cantigas de Santa Maria". A sua importância foi tal que se considera a segunda literatura durante a Idade Média só depois do Occitano. Recentemente foi achado o documento mais antigo escrito dentro da actual Comunidade Autónoma que se conserva, o qual data de 1228; trata-se do Foro do bõ burgo do Castro Caldelas outorgado por Afonso IX em Abril de dito ano ao município de Allariz (Galiza, Espanha). O galego-português, comum à Galiza e a Portugal, teve setecentos anos de existência oficial como língua culta e plena, mas as derrotas que os nobres galegos sofreram ao tomar partido pelos bandos perdedores nas guerras pelo poder em finais do séc. XIV e princípios do XV provoca a assimilação da nobreza galega e a dominação castelhana, levando à opressão e ao desaparecimento público, oficial, literário e religioso da língua até finais do século XIX. São os chamados "Séculos Escuros". O português, por seu lado, durante este período gozou de protecção e desenvolvimento livre, graças ao facto de Portugal ter sido o único território peninsular que ficou fora do domínio linguístico do castelhano. Cada 17 de Maio celebra-se o Dia das Letras Galegas dedicado a um escritor galego (escolhido pela Real Academia Galega). Este dia é usado pelos organismos oficiais para potenciarem o uso e o conhecimento da língua galega. editar NormasO padrão actual da língua galega foi definido pela Real Academia Galega, a qual afirma respeitar a ortografia do "Rexurdimento" (no século XIX) e ser mais próxima às formas cultas tradicionais do galego e ao mesmo tempo às falas populares; porém distancia-o do português padrão. Este padrão, oficializado pela Junta da Galiza, é utilizado maioritariamente no ensino e nos meios de comunicação galegos, assim como pela maioria dos escritores e intelectuais, querendo ser mais próxima às formas cultas tradicionais do galego e ao mesmo tempo às falas populares Contudo, há uma outra visão, chamada de reintegracionista, defendida por certas colectividades e movimentos sociais, que pretende reintegrar o galego com o português padrão. Fazem parte deste movimento uma pequena parte do professorado em universidades, alguns intelectuais, artistas e comunicadores sociais, além de alguns meios de comunicação. Uma parte significativa deste movimento escreve directamente em português de Portugal, enquanto outra fá-lo na norma criada pela Associaçom Galega da Língua. O grande problema desta visão é a sua falta de sucesso social. A sociedade acha que esta variedade é artificial e tenta fazer passar o galego por outra língua. editar Norma de 2003A Real Academia Galega e o Instituto da Língua Galega admitiram, no Verão de 2003, umas mínimas modificações do padrão (por exemplo Galiza e Galicia, até e ata, posíbel e posible), visando um certo achegamento para as posturas reintegracionistas de mínimos. Esta mudança ortográfica passou a chamar-se de "Normativa de concórdia". Na elaboração da proposta participaram Departamentos de galego e português das três Universidades galegas, mas foi visto por parte dos grupos reintegracionistas como uma reforma excessivamente tímida e menor, sem a participação do chamado reintegracionismo de máximos. Uma parte da população acha que esta afasta-se da fala real, utilizando formas pouco habituais ou artificiais ou portuguesismos que deixaram de existir ou nunca existiram na língua oral há anos. Houve críticas por oficializar formas próximas ao português ou ao galego medieval que já não são utilizadas (ou quase) na fala. Mais de seiscentos artistas, activistas e intelectuais de diferentes origens e profissões assinaram um comunicado público contra esta norma. editar Uso oficialEm relação à oficialidade, o galego é co-oficial na Galiza conjuntamente com a língua castelhana. Na União Europeia já foi aceite oralmente como sendo português, nomeadamente nas intervenções dos ex-eurodeputados galegos Camilo Nogueira e Xosé Manuel Beiras[2]. editar Línguas distintas ou dialetos da mesma língua?De um ponto de vista político e, portanto, oficial, o galego é uma língua diferente do português. Assim o determinam as instituições com autoridade democrática do estado espanhol e da região autónoma da Galiza. Alguns partidos políticos, como um sector minoritário do Bloco Nacionalista Galego, pretendem alterar esta situação, mas, no presente, ela se mantém. De um ponto de vista científico temos duas possibilidades:
Controvérsias parecidas levantam-se em relação a outras línguas da Europa, que, assim como o galego e o português, são tidas como pertencentes a um diassistema — como o occitano-catalão, asturiano-mirandês, albanês-kosovar, flamengo-holandês, checo-eslovaco, servo-croata, córnico (ou cornês)-bretão. Há alguns autores galegos que publicam na versão reintegrada do galego em Portugal (Carlos Quiroga, João Guisan Seixas). Também há obras lusófonas editadas directamente na Galiza (Roberto Cordovani, Nélida Piñon) editar Principais diferenças entre o galego e o portuguêsNa escrita, se o galego se grafar em ortografia reintegrada, as diferenças são mínimas e seria compreensível para um falante português, talvez percebendo-o como um dialecto peculiar do português. Mas, na ortografia oficial, empregue pelas administrações na Galiza, a compreensão fica muito dificultada.
editar Semelhança entre português e galegoPara ilustrar a semelhança entre o galego e o português apresentam-se dois exemplos em português de Portugal, nas duas variantes do galego e também em Castelhano. Uma frase simples,
O Pai Nosso,
editar Bibliografia
Notas e referências
editar Ver também
editar Ligações externas
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