Língua galega.html

 
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Galego
Falado em: Espanha (Galiza, Astúrias (zona ocidental), Castela e Leão (O Bierzo) e por emigrantes galegos na diáspora.
Total de falantes: 3 a 4 milhões
Família: Indo-européia
 Itálica
  Românica
   Ítalo-ocidental
    Ocidental
     Galo-ibérica
      Ibero-românica
       Ibero-ocidental
        Galaico-portuguesa
         Galego
Estatuto oficial
Língua oficial de: Comunidade Autônoma da Galiza, aceite oralmente como língua portuguesa no Parlamento Europeu.
Regulado por: Real Academia Galega
Códigos de língua
ISO 639-1: gl
ISO 639-2: glg
ISO 639-3: glg
SIL: GLG

Língua galega é o nome oficial em Espanha e na União Europeia do idioma natural da Comunidade Autónoma da Galiza. O galego fala-se na Galiza, na fronteira com as comunidades autónomas das Astúrias e Castela-Leão e nas comunidades de galegos emigrantes, como na Argentina, Cuba e no Uruguai (mais de três milhões de emigrantes galegos moram naqueles países).

O galego pode ser visto como uma forma evoluída do galego-português, com algumas influências do castelhano e umas poucas formas e traços próprios inexistentes em português, uns próprios do galego-português original que desapareceram do português contemporâneo, outros fruto da evolução posterior do galego.

Índice

editar História

O galego-português formou-se a partir do século IX, na antiga província romana da Gallæcia[1], como resultado da assimilação do latim vulgar falado pelos conquistadores romanos a partir do século II d.C. Incorporou também léxico de origens pré-celta, celta, basca, germânica, provençal. O galego esteve depois sujeito à influência do castelhano não somente léxico (incluindo arabismos, léxico ameríndia, e empréstimos linguísticos modernos), mas também certos traços fonéticos, assim como a ortografia oficial actual.

No seu momento teve certo uso como língua culta, fora dos reinos da Galiza e de Portugal, nos reinos vizinhos de Leão e Castela. Escrevendo em galego, por exemplo, o rei castelhano Afonso X o Sábio, as suas "Cantigas de Santa Maria". A sua importância foi tal que se considera a segunda literatura durante a Idade Média só depois do Occitano.

Recentemente foi achado o documento mais antigo escrito dentro da actual Comunidade Autónoma que se conserva, o qual data de 1228; trata-se do Foro do bõ burgo do Castro Caldelas outorgado por Afonso IX em Abril de dito ano ao município de Allariz (Galiza, Espanha).

O galego-português, comum à Galiza e a Portugal, teve setecentos anos de existência oficial como língua culta e plena, mas as derrotas que os nobres galegos sofreram ao tomar partido pelos bandos perdedores nas guerras pelo poder em finais do séc. XIV e princípios do XV provoca a assimilação da nobreza galega e a dominação castelhana, levando à opressão e ao desaparecimento público, oficial, literário e religioso da língua até finais do século XIX. São os chamados "Séculos Escuros". O português, por seu lado, durante este período gozou de protecção e desenvolvimento livre, graças ao facto de Portugal ter sido o único território peninsular que ficou fora do domínio linguístico do castelhano.

Cada 17 de Maio celebra-se o Dia das Letras Galegas dedicado a um escritor galego (escolhido pela Real Academia Galega). Este dia é usado pelos organismos oficiais para potenciarem o uso e o conhecimento da língua galega.

editar Normas

Falantes de galego como primeira língua conforme aos censos de população e habitação do Instituto Galego de Estatística (2001)

O padrão actual da língua galega foi definido pela Real Academia Galega, a qual afirma respeitar a ortografia do "Rexurdimento" (no século XIX) e ser mais próxima às formas cultas tradicionais do galego e ao mesmo tempo às falas populares; porém distancia-o do português padrão. Este padrão, oficializado pela Junta da Galiza, é utilizado maioritariamente no ensino e nos meios de comunicação galegos, assim como pela maioria dos escritores e intelectuais, querendo ser mais próxima às formas cultas tradicionais do galego e ao mesmo tempo às falas populares

Contudo, há uma outra visão, chamada de reintegracionista, defendida por certas colectividades e movimentos sociais, que pretende reintegrar o galego com o português padrão. Fazem parte deste movimento uma pequena parte do professorado em universidades, alguns intelectuais, artistas e comunicadores sociais, além de alguns meios de comunicação. Uma parte significativa deste movimento escreve directamente em português de Portugal, enquanto outra fá-lo na norma criada pela Associaçom Galega da Língua. O grande problema desta visão é a sua falta de sucesso social. A sociedade acha que esta variedade é artificial e tenta fazer passar o galego por outra língua.

editar Norma de 2003

A Real Academia Galega e o Instituto da Língua Galega admitiram, no Verão de 2003, umas mínimas modificações do padrão (por exemplo Galiza e Galicia, até e ata, posíbel e posible), visando um certo achegamento para as posturas reintegracionistas de mínimos.

Esta mudança ortográfica passou a chamar-se de "Normativa de concórdia".

Na elaboração da proposta participaram Departamentos de galego e português das três Universidades galegas, mas foi visto por parte dos grupos reintegracionistas como uma reforma excessivamente tímida e menor, sem a participação do chamado reintegracionismo de máximos.

Uma parte da população acha que esta afasta-se da fala real, utilizando formas pouco habituais ou artificiais ou portuguesismos que deixaram de existir ou nunca existiram na língua oral há anos. Houve críticas por oficializar formas próximas ao português ou ao galego medieval que já não são utilizadas (ou quase) na fala.

Mais de seiscentos artistas, activistas e intelectuais de diferentes origens e profissões assinaram um comunicado público contra esta norma.

editar Uso oficial

Em relação à oficialidade, o galego é co-oficial na Galiza conjuntamente com a língua castelhana.

Na União Europeia já foi aceite oralmente como sendo português, nomeadamente nas intervenções dos ex-eurodeputados galegos Camilo Nogueira e Xosé Manuel Beiras[2].

editar Línguas distintas ou dialetos da mesma língua?

De um ponto de vista político e, portanto, oficial, o galego é uma língua diferente do português. Assim o determinam as instituições com autoridade democrática do estado espanhol e da região autónoma da Galiza. Alguns partidos políticos, como um sector minoritário do Bloco Nacionalista Galego, pretendem alterar esta situação, mas, no presente, ela se mantém.

De um ponto de vista científico temos duas possibilidades:

  • O galego é uma língua diferente do português. Na Galiza, nas universidades e centros de investigação linguística (os oficiais e mais importantes são a Real Academia Galega e o Instituto Galego Da Língua), o galego é estudado como uma língua independente.carece de fontes?
  • o galego é considerado uma variedade dialectal da língua portuguesa. Desde que, em 1970, Lindley Cintra apresentou a sua classificação para os dialectos galego-portugueses (que é a que está actualmente em vigor), este assunto é praticamente consensual entre a comunidade linguística. Em Portugal, nas universidades e centros de investigação linguística, os dialectos galegos são estudados como parte dos dialectos do português europeu. Na Galiza, os linguistas são um dos grupos sociais mais activos no chamado movimento reintegracionista, que defende a inclusão política da língua galega no sistema lusófono.

Controvérsias parecidas levantam-se em relação a outras línguas da Europa, que, assim como o galego e o português, são tidas como pertencentes a um diassistema — como o occitano-catalão, asturiano-mirandês, albanês-kosovar, flamengo-holandês, checo-eslovaco, servo-croata, córnico (ou cornês)-bretão.

Há alguns autores galegos que publicam na versão reintegrada do galego em Portugal (Carlos Quiroga, João Guisan Seixas). Também há obras lusófonas editadas directamente na Galiza (Roberto Cordovani, Nélida Piñon)

editar Principais diferenças entre o galego e o português

Na escrita, se o galego se grafar em ortografia reintegrada, as diferenças são mínimas e seria compreensível para um falante português, talvez percebendo-o como um dialecto peculiar do português. Mas, na ortografia oficial, empregue pelas administrações na Galiza, a compreensão fica muito dificultada.

  • Diferenças fonéticas do galego em relação aos dialectos portugueses setentrionais (Norte de Portugal) (às vezes por influência do castelhano):
    • Vocalismo átono de maneira semelhante ao dos dialectos brasileiros (e. g. "batata" pronuncia-se *bátátá)
    • Inexistência de vogais ou ditongos nasais (e. g. "mão" diz-se *mám ou *máu, enquanto "irmã" diz-se "irmán" ou "irmá")
      • O artigo feminino uma e os seus derivados, que no galego-português medieval era grafado com ũa, nos dialectos galegos ocidentais é pronunciado com n velar, e nos orientais ficou simplesmente desnasalado ("ua", "algua"). Na ortografia reintegracionista da Associaçom Galega da Língua, é representado quer com umha, quer com ũa, mas na oficial, unha.
    • Ensurdecimento das sibilantes sonoras (e. g. "casa" diz-se como "caça" e "gente" diz-se *xente)
    • Fenómeno da gheada (apenas no dialecto galego ocidental): o "g" intervocálico é aspirado (e. g. *ghalegho)
  • Há diferenças nas flexões verbais, como o pouco uso da mesóclise pronominal, que, em geral, são percebidas como arcaísmos pelos restantes falantes de português.
  • A ortografia oficial é semelhante à do castelhano, empregando quase as mesmas regras, até na pontuação. Assim, o galego oficial utiliza ñ por nh, ll por lh, não usa ç mas z, só emprega o acento agudo, etc.

editar Semelhança entre português e galego

Para ilustrar a semelhança entre o galego e o português apresentam-se dois exemplos em português de Portugal, nas duas variantes do galego e também em Castelhano.

Uma frase simples,

o cão do meu avô é parvo. (português)
o can do meu avó é parvo. (galego[3])
o cam do meu avô é parvo. (galego na ortografia proposta pela Associaçom Galega da Língua)
el perro de mi abuelo es tonto. (espanhol)

O Pai Nosso,

  • Português de Portugal:
Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Noso Pai que estás no ceo: santificado sexa o teu nome, veña a nós o teu reino e fágase a túa vontade aquí na terra coma no ceo. O noso pan de cada día dánolo hoxe; e perdóanos as nosas ofensas como tamén perdoamos nós a quen nos ten ofendido; e non nos deixes caer na tentación, mais líbranos do mal.
  • Galego com a ortografia da Associaçom Galega da Língua:
Nosso Pai que estás no Céu: santificado seja o Teu nome, venha a nós o Teu reino e seja feita a Tua vontade aqui na terra como nos Céus. O nosso pam de cada dia dá-no-lo hoje; e perdoa-nos as nossas ofensas como também perdoamos nós a quem nos tem ofendido; e nom nos deixes cair na tentaçom, mas livra-nos do mal.
  • Espanhol:
Padre nuestro que estás en los cielos, santificado sea tu Nombre, venga a nosotros tu reino y hágase tu voluntad en la tierra como en el cielo. Danos hoy nuestro pan de cada día y perdona nuestras ofensas como también nosotros perdonamos a los que nos ofenden; no nos dejes caer en tentación, y líbranos del mal.

editar Bibliografia

  • Cunha, Celso e Cintra, Lindley, «Os dialectos da língua portuguesa», in Nova grámática do português contemporâneo, 12.ª edição, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1996, ISBN 972-9230-00-5
  • Cintra, Luís Filipe Lindley, Estudos de Dialectologia Portuguesa, 2.ª edição, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1995, ISBN 972-562-327-4
  • Teyssier, Paul, História da língua portuguesa, 6.ª edição, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora. 1994, ISBN 972-562-129-8

Notas e referências

  1. que abrangia o território da Galiza actual, o norte de Portugal e territórios limítrofes a Leste
  2. tal como se pode ver no excerto desta entrevista de Camilo Nogueira ao jornal português Correio da Manhã:
    «Camilo Nogueira: Falo português da Galiza, 18 de dezembro de 2002
    O deputado europeu Camilo Nogueira, eleito em 1999 pelo Bloco Nacionalista Galego, faz a maioria das suas intervenções, em Estrasburgo, na língua de Camões. Diz que o galego é português com sotaque e que, graças a esta feliz coincidência, tem a possibilidade de falar no Parlamento Europeu a sua língua mãe.
    CM – O eurodeputado Camilo Nogueira utiliza o português, na maioria das suas intervenções no Parlamento Europeu, com o intuito de promover o galego ou com a intenção de reforçar o português?
    Camilo Nogueira – Eu tenho o galego como língua da minha família e do meu país e pretendo que a principal língua da Galiza, mesmo em termos políticos e económicos, seja o galego. Nesse sentido, tenho a sorte de, ao contrário do que acontece com os catalães ou os bascos, a língua original da minha região ser uma língua universal e uma das oficiais do Parlamento Europeu, que é o português. Agora, respondendo à questão, eu acabo por fazer as duas coisas, porque promovendo o Português vou impondo o galego.
    (...)
    CM – Tratando-se de um eurodeputado eleito por Espanha, nunca lhe foi colocado qualquer problema por falar em português?
    Camilo Nogueira – Não, claro que não. Eu até já debati esta questão com José María Aznar, sobretudo quando a Espanha tinha a presidência da União Europeia e ele teve de pôr os auscultadores para compreender a minha intervenção. Eu disse-lhe que é legítimo que os galegos lutem pela sua língua de origem. De resto, devo dizer-lhe que, curiosamente, eu posso fazer as intervenções na minha língua no Parlamento Europeu, graças ao português, mas não o posso fazer no parlamento espanhol em Madrid, onde o castelhano é obrigatório. (...)»
  3. ortografia oficial, coincidente com a da Real Academia Galega
  4. ortografia oficial, coincidente com a da Real Academia Galega

editar Ver também

editar Ligações externas

Escutar a língua galega
Comparar a conjugação dos principais verbos galegos e portugueses

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