|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Reino da Galiza foi uma entidade política que começou no século V, e foi dissolvida no ano 1833, situado no Sudoeste de Europa e no Noroeste da Península Ibérica, e que foi evoluindo territorialmente ao longo dos séculos. editar Território e ConceitoPor destacados autores comtemporaneos à fim da dominação romana, e consegui-te transformação experimentada pola Galiza, que passa de província romana a reino de máns dos suevos, conhece-se a extensão territorial de uma Galiza, que proporções muito maiores às actuais, cujos limites permacen praticamente intactos ata no século XII, momento no que Portugal deixa de pertencer a Galiza e reino de Leão deixa de sê-lo para cobrar personalidade própria. O território da Galiza nesta época (séculos IV-V d.C) aparece daquela relatada por numerosos autores da época, assim o historiador e teólogo galaico-romano Paulo Orosio, a começos do século V d.C na sua obra Historiarum explica que Cantabri et Astures Gallaecie provinciae portio sunt[1], é dizer, Cántabros e Astures fazem parte da província da Galiza, ideia que o cronista bracarense Idacio reflectir de igual modo no seu Cronicon em meados do século V d.C, onde denomina Campus Gallaeciae (Campos da Galiza) à grande planície conhecida hoje como Terra de Campos, na actual Castela e Leão. Posteriores autores* como Santo Isidoro, no século VII continuan a fazer fincapé na extensão da Galiza, já baixo o domínio visigodo assim na sua obra Etymologiae matiza que "Asturia e Cantabria, são regiões sitas na Galiza", regiones partes sunt provinciarum (?) sicut in Gallicia; Cantabria, Asturia.[2] Os autores põem de relevo a polisemia do conceito, por uma banda uma Galiza ampla, uma província romana que incluía o território compreendido entre Fisterra ata a actual La Rioja, onde se encontravam galaicos, astures, cantabros, vacceos e outros povos, e por outra banda a Galiza propriamente dita, o território que não sendo nem astur nem cántabro estava habitado expresamente pelos galaicos, e que lhe daria o nome a todo o noroeste peninsular ata no século XII. Com a chegada dos suevos desde Centroeuropa no ano 411 d.C, Galiza deixa de ser uma província romana (Gallaecia), para convertirse num reino com capital em Braga. Um reino que os suevos tentarão acrecentar pólo sul a espensas do Império Romano, incorporando ao seu domínio e de modo permanente, boa parte da parte da província romana de Lusitania, chegando a fazer-se temporariamente com a capital, Emerita Augusta (Mérida),que finalmente é abandonada. Trás a batalha de Vogladum no ano 507, os visigodos são expulsos da Galia (agas da Septimania) pelos exercitos francos que liderava o rei Clovis I. Depois do século VI, o nome de Espanha (Hispania) vai perder o significado geográfico que possuía até então, para adquirir um de índole política, o de designar o território governado pelos visigodos. Asi mesmo, Galiza (Gallaecia) vai assumir do mesmo modo este conceito, o território governado pelos reis suevos. A Peninsula Ibérica ficava repartida asi em duas entidades administrativas, Hispania (Espanha) e Galécia (Galiza), mantendose durante do mesmo modo durante mais de cinco séculos. A começos do século XII, a ampla Galiza começa a fragmentarse, decisivamente no ano 1108 com a independência de Portugal, e que acabará por excluir a Leão (com Astúrias e Extremadura) e a Castela da antiga demarcação galega, tornandose em reinos próprios num lento processo de particularização. A finais do sécuo XII, Galiza, Leão, Castela e Portugal já são reinos diferentes com personalidade própria. editar A origem do reinoA origem do reino encontra-se no século V d.C., quando os suevos definitivamente se assentam na antiga província romana chamada Gallaecia. Estes, encabeçados pelo seu rei, Hermerico (que assinara um foedus com o imperador romano Honorio, pelo qual concedia-lhes a soberania, é dizer, a total independência de Roma), fixariam a sua corte na antiga Bracara Augusta, criando assim o que se chamaria regnum suevorum, regnum galliciense ou Reino Suevo, começando o seu reinado no 409. No ano 449, o primeiro rei suevo nado na Galiza, Requiário I (filho de Réquila I, neto de Hermerico), decide converter o reino em católico, ao igual que a maioria da sua população, ainda que de 465 a 550 voltar-se-ia ao arianismo. Num século mais tarde, as diferenças entre os nativos galaicos e os suevos começariam a desaparecer, e este facto teria como resultado que os autores contemporâneos se refiram ao reino nesse momento como Galliciense Regnum[3], e aos reis indistintamente como Regem Galliciae[4], Rege Suevorum ou Galleciae totius provinciae rex[5], mesmo os bispos como Martinho de Dume serão reconhecidos como episcopi Gallaecia[6]. Tudo isto propicia que no século VI d.C., possamos já falar da existência do Reino da Galiza. editar O reino da Galiza na monarquia visigóticaNo ano 585, Leovigildo, rei visigótico de Hispania e Septimania, consegue acabar com a independência política que os reis suevos mantiveram na Galiza desde o ano 409, derrotando o último rei suevo, Andeca. Desde essa altura, o território da chamada então Gallaecia, passa a fazer parte da órbita de poder de Toledo, donde os monarcas visigóticos exerciam o seu poder depois de serem expulsos da Galiza pelos francos. O período de governo visigótico na Galiza não supôs nenhuma mudança brusca no que diz respeito a épocas passadas, de modo que, à excepção das dioceses sitas na Lusitânia, as dioceses galegas continuaram a desenvolver a sua actividade com notável normalidade, mantendo-se activas as dioceses de Braga, Porto, Tui, Iria, Britonia, Lugo, Ourense, Astorga, Coimbra, Lamego, Viseu e Idanha. A organização territorial herdada de séculos anteriores não muda, e mesmo as elites culturais, tanto religiosas como aristocráticas, aceitaram os novos monarcas, que apesar de terem a sua corte em Toledo, assumiam o controlo político de três antigos reinos; Espanha, Septimania e a Galiza, de modo que nos concílios religiosos, como o realizado em Toledo no ano 589, estavam presentes episcoporum totius Hispaniae, Galliae et Gallaetiae[7] ou seja, bispos de toda Espanha, Galia e Galiza, esta concepção tripartita encontra-se ao longo do governo visigótico desde o ano 585, diferenciando mediante diversas fórmulas as três entidades visigóticas nos documentos como; fines Spanie, Gallie, Gallecie[8] ou Spaniae et Galliae vel Gallitiae[9], entre outras. Neste contexto, destaca-se a figura de São Froitoso, bispo galaico de ascendência visigótica, famoso pelas numerosas fundações levadas a cabo por ele em todo o ocidente peninsular, quase sempre em lugares escondidos nas montanhas e mesmo nas ilhas, sobressaindo-se a sua austeridade. A verdade é que as derradeiras décadas da monarquia visigótica foram de marcada decadência, devido, em boa parte, à redução do comércio com uma importante redução da circulação monetária, consequência directa da imposição do poder muçulmano a princípios do século VIII no mediterrâneo sul. A Gallaecia ver-se-à afectada pelas mesmas pautas. É então quando São Froitoso denunciou um estado generalizado de retrocesso cultural, perda da dinâmica de tempos atrás, e em seguida abrollou um certo grau de descontentamento no alto clero galaico. Assim, no X Concilio de Toledo, no ano 656, Froitoso, pertencente a círculos de poder visigóticos, assumiu a cadeira metropolitana de Braga, acontecendo isto à prévia renúncia do seu titular Potamio, quem ademais reconhecia explicitamente a crise da vida eclesiástica. Na mesma ocasião, os ali reunidos anulavam o testamento deixado pelo bispo Recimiro de Dume, pois nele doava as riquezas da diocese-mosteiro aos pobres. A crise final visigótica remontaria ao reinado de Égica. Este monarca declarou herdeiro ao seu filho Witiza e já em vida associou-o ao trono, no ano 698, embora a lei visigótica obrigava à eleição dum novo rei e não à transmissão hereditária. Dita associação consistiu em entregar-lhe o governo da Galiza, exercendo como rei com capital em Tui. Witiza vai ser rei da Gallaecia pelo menos até à morte do seu pai, o que supõe uma situação nova nesta etapa final e conflituosa da monarquia visigótica, evidenciando a actividade política que a Galiza conservava cem anos depois do fim da monarquia sueva. No ano 702 com a morte de Égica, Witiza assume também o governo de Hispania, trasladando-o a Toledo onde governaria até ao no ano 710. Depois da sua sua morte, um sector aristocrático visigótico impediu a subida ao trono do seu filho Axila, impondo pela força a Rodrigo, o que supôs um conflito civil entre os seus partidários e os dos filhos de Witiza. Será no ano 711 quando os inimigos de Rodrigo conseguem que um exército muçulmano cruze o estreito de Gibraltar e apresente batalha a Rodrigo em Guadalete, onde este é derrotado, facto que marca o fim do governo visigótico em Hispania, e que terá uma trascendência histórica total para as duas restantes entidades políticas: Gallaecia e Septimania. No ano 715, Abd al-Aziz ibn Musa casa-se com a viúva de Rodrigo, de nome Exilona intitulada reginam Spanie[10], confirmando a continuidade dinástica, transferida assim legitimamente ao governador muçulmano. Com este facto, os governantes muçulmanos consideraram-se politicamente continuadores do anterior estado e assumiram os atributos detidos antes pelos reis visigóticos de Toledo. Desta forma, com a conquista de toda Spania pelos muçulmanos, além das suas fronteiras, os emires cordobeses seriam conhecidos com o título de rex Spanie[11]. A partir desse instante começa uma nova concepção geográfica, pois Espanha vai ser o nome com o qual se designe ao território muçulmano, e Galiza ao território cristão. Assim, o historiador Al-Maqqari deixa claro a extensão do domínio muçulmano ao referir-se à conquista de começos do século VIII: Não ficou lugar sem dominar em Al-Andalus se exceptuamos o país de Galiza. editar A formação da nova monarquia na Galiza e nas AstúriasApós a queda das províncias de Hispania no ano 711, e da Septimania no 719, sob domínio muçulmano, a Gallaecia vai ser a única entidade administrativa na península ibérica que quase não conhece a presença muçulmana, mantendo intactas e em plena evolução histórica as suas estruturas sócio-económicas herdadas do passado galaico-romano e suevo. Assim, encontramo-nos com um território desde o Mar Cantábrico até o rio Douro, que já não se encontra ligado ao governo visigótico desde Toledo, nem ao seu herdeiro político o Emirato Omeia de Córdoba, em última instância supeditado a Damasco. A decadência e o final desaparecimento do estado visigótico, supõe um vazio de poder central, isto é, o culminar da dependência política dos povos do noroeste em relação a Toledo, propiciando que os nobres locais galegos, asturianos e bascos do momento, emerjam com força desde os seus senhorios, que tentarão acrescentar bem pela via da diplomacia, mediante pactos e casamentos, bem como pela via das armas, procurando impor-se perante os demais. Em contraste, e apesar da aparente convulsão política de começos do século VIII, a rede eclesiástica galega não sofreu alterações demasiado profundas, e enquanto Astúrias continuou carecendo de sé episcopal até finais do século IX, a Galiza manteve uma total continuidade religiosa desde a época galaico-romana, pelo menos em três dioceses: Lugo, Britonia-Mondonhedo, e Iria, onde os seus bispos residiram ininterruptamente nas suas respectivas sés, e nominalmente noutras cinco: Braga, Ourense, Tui, Lamego e Dumio. De certo, perante a insegurança político-religiosa, os bispos destas dioceses residiram noutras sés, aliás em Lugo acolheram-se temporariamente os bispos de Braga e Ourense, na diocese de Iria aos de Tui e Lamego, e em Britonia-Mondonhedo ao de Dume. Este contexto é de difícil interpretação histórica para o estudo das instituições políticas, principalmente pela carência duma documentação própria da época (séculos VIII e IX). A primeira menção a uma personagem com atribuições senhoriais depois da derrota visigótica, encontra-se num documento do ano 812 denominado Testamentum Regis Adefonsi (testamento do rei Afonso), onde se descreve a um nobre de nome Paio (Pelagius), que teria lutado na região de Astúrias numa revolta contra o poder muçulmano em Covadonga, possivelmente senhor do território onde se situa Cangas de Onís, onde teria vivido em meados do ano 710, sendo o ciclo de crónicas de Afonso III o que o descreve com maior detalhe, apesar a ser posterior. É curioso constatar que nas crónicas como a de Bizantino-arábigo ou a Crónica Mozárabe, redigidas nos anos 741 e 754 respectivamente, não se mencione nem a figura de Paio, nem a sua revolta em Covadonga, o que segundo autores actuais põe em dúvida seriamente a relevância ou a própria existência do mesmo Paio e do mito de Covadonga. As alusões muçulmanas a esta rebelião, assim no Ajbar Machmúa diz-se: "Os galegos, aproveitando a contenda civil entre os muçulmanos de mediados do século VIII, sublevaram-se contra o islão e apoderaram-se de todo o distrito de Astúrias", também Al-Maqqari faz menção a isto: "Diz Isa bem Ahmad Al-Razi que em tempos de Anbasa bem Suhaim Al-Qalbi, ergueu-se em terras de Galiza um asno selvagem chamado Belai", sem bem é certo que estas, assim como as crónicas cristãs foram escritas há mais de século e meio depois destes supostos acontecimentos. As referências mais descritivas deste nobre chamado Pelagius, chegam a finais do século IX, onde são numerosas as origens que se lhe adjudicam desde as tardias crónicas cristãs. Para a Crónica Albeldense, Paio era neto de Rodrigo, derradeiro rei visigótico de Toledo, para a Crónica Rotense foi escolhido em concilium pelos próprios astures como obrigava a lei electiva visigótica, e para outras fontes foi mesmo descendente do próprios Leovixildo e Recaredo ou filho do duque visigodo, Fáfila. Em qualquer caso, o único que se pode afirmar é que a figura de Paio, convertida em mito, possivelmente se baseou num dos muitos senhores cristãos da Gallaecia nesse momento, tendo uma relevante importância no chamado Reino dos Astures a começos do século VIII, desde a sua modesta corte em Cangas de Onís, algo que não entra em desacordo com o relato do muçulmano Al-Maqqari que o descreve como: "um infiel chamado Belai, natural de Astúrias na Galiza". Este seria sucedido pelo seu filho chamado Fáfila, mas por curto espaço de tempo. editar Origem e consolidação do Regnum ChristianorumCom a morte de Fáfila, as crónicas afonsinas relatam a entrada de um senhor territorial chamado Afonso, de origem cántabra, que se teria casado com a irmã de Fáfila ampliando com isto os seus domínios. Assim o pequeno reino/senhorio iniciado por Paio medra pela via matrimonial perdendo a sua condição estritamente astur, para ser uma entidade onde o carácter cristão, e sobretudo o mesmo marco geográfico, serão os pontos de união entre estes senhores cantabro-astures que irão acrecentando e unificando com outros territórios o seu próprio domínio. Passamos assim de um pequeno reino/senhorio no oriente asturiano, a um território maior que será com o tempo autoproclamado como Regnum Christianorum, ou reino dos Cristãos, pois foi o factor religioso, livre de vasalagem direita a Córdoba, um importante pretexto para a integração dos diferente povos de toda a Galécia. As crónicas explicam esta expansão territorial por meio "repoboações", sugerindo que Afonso I, repoboou: "Astúrias, Primorias, Liébana, Trasmiera, Sopuerta, Carranza, Bardulia e a parte marítima da Galiza". Sem embargo a análise arqueológica e documental tem demonstrado em datas recentes que todo o norte e noroeste peninsular foi habitado sempre pelas mesmas gentes, logo, devemos perceber tal afirmação não como um repoboamento de gentes sobre uma terra deshabitada, senão como um ordenamento baixo um poder senhorial, é dizer baixo a esfera de influência de Afonso I sobre uns territórios que viviam à margem de uma autoridade estatal superior. No ano 757 Afonso I é sucedido pelo seu filho Froila, depois de que este assassinara ao seu irmão Vimara nas disputas por herdar o trono paterno. Este acrecentou os domínios dos seus proxenitores além do cordal Cantábrico, tendo que fazer frente a numerosas revoltas, pois não todos os nobres galegos aceitaram de bom agrado a sua autoridade, como mostra a redacção rotense da Crónica de Afonso III onde diz: "Aos povos de Galiza, que contra ele se revelaram, venceu-os e submeteu a toda a província a forte devastação." Depois de onze anos de governo, Froila é assassinado por um sector da nobreza que se opunha. Sem embargo não foi o seu filho Afonso, o que mais tarde seria conhecido como Afonso II, o que lhe sucedeu, pois um nobre de nome Aurelio acedeu ao trono apoiado por um sector aristocrático afín política ou territorialmente a ele, deslocando a Afonso II do governo. A origem de Aurelio, quem governaria entre nos anos 768 e 774, é incerta como a maioria destes "princeps" ou senhores com atribucións reais, um enigma histórico. As duas redacções da Crónica de Afonso III vêm coincidir praticamente no mesmo, teve que fazer frente a uma rebelião camponesa, concretamente a Crónica Rotense explica: "No seu tempo os homens de condição servil erguéronse em rebelião contra os seus senhores, mas, vencidos pela diligência do rei, foram reduzidos à antiga servidão", população camponesa local que foi entrando em dependência nos domínios agrários da nobreza e da Igreja, e oposta portanto ao processo de restauração da autoridade dos monarca, percebida esta num sentido político-institucional. Morto, Aurelio, um novo nobre de nome Silo (774-783), tomada por esposa a Adosinda. O facto de que o legítimo herdeiro Afonso, continuara a não poder aceder ao trono, faz pensar a numerosos autores que Silo contou com a ajuda da mesma facção nobiliaria que apoiou a suba de Aurelio. Dele, consta que era um, "alheio à terra", e pelo facto de instalar em Pravia a sua corte, é dizer, levá-la desde o oriente asturiano ata o ocidente, e de possuir terras no oriente galego, parece que a sua origem se situou nas terras ocidentais de Astúrias e orientais de Galiza. O Diploma do rei Silo, que assegura que o príncipe Silo tinha propriedades nas proximidades da cidade de Lugo, reforça a tese da sua origem ocidental. Também este soberano teve que fazer frente no seu reinado a uma revolta dos povos galegos, continuação sem dúvida das havidas contra os reis Froila I e Aurelio. Assim o cronista Sebastián conta: "Aos povos de Galiza que se rebelaram contra ele, venceu-os em combate no Monte Cubeiro e submeteu-os ao seu império". Com segurança a natureza desta rebelião seja a mesma das anteriores; é dizer, a oposição à integração forzosa numa estrutura estatal superior. Novamente à morte de Silo, acede outro senhor territorial, Mauregato (783-788), que se rebela contra os oficiais de palácio, apoderando-se do reino de Silo fazendo que Afonso II se tenha que exiliar em terras da sua mãe, a basca Munia. As crónicas afonsinas omiten as vezes o seu reinado, e a maioria fanno tirano e usurpador. Sem embargo, o seu reinado foi contemporâneo da fabricação de um hino apostólico a Santiago, e da importante querela adopcionista. Finalmente, sobe ao trono Vermudo I, sobredito o Diácono, entre nos anos 788 e 791 trás suceder a Mauregato. Alguns autores apontam à Galiza propriamente dita, como possível berço da sua mãe, o que somaria apoios no ocidente do reino, e aliás o acesso ao poder sem nenhum tipo de dificuldade faz supor aos investigadores que contou com o apoio da mesma nobreza que apoiou a Mauregato na cimeira do poder. As crónicas afonsinas explicam a sua vinculación familiar com Aurelio, fazendo-o irmão deste, e finalmente remontando a sua origem ao dux visigodo Pedro, também não faltam documentos medievais que asseguram que casou com uma aristócrata galega de nome, Ursinda, neta do conde Sisebuto de Coimbra e filha do rei visigodo Vitiza, pois existía a necessidade ideológica de fazer entroncar a estes senhores territoriais com o passado visigodo para dotá-los de poder legítimo, uma constante neogótica. O que com certeza sim sabemos, é que no ano 791 deixa de governar, sendo sucedido por Afonso II, quem sim apresenta autênticos atributos reais e cujo governo é de especial importância para a Galiza. editar Afonso II e tumba apostólicaTrás um período de conflitividade entre os diferentes princeps astur-galaicos, com o reinado de Afonso II acontece uma importante mudança política, passa-se de uma anexión forçada à integração pacífica dos populos Gallecie ("povos de Galiza") no seio da Coroa. Sem dúvida o reinado de Afonso II supôs um importante avanço no processo de consolidación da instituição Monárquica, o qual fixo pensar a mais de um que deveu ser beneficioso para o conjunto os interesses propriamente galegos, aliás este monarca passou a sua infância sendo educado em Samos, talvez na família de um poderoso magnata galego, que adoptou acontecer com muitos dos reis sucessores. O verdadeiro é que semella haver uma coincidência de interesses políticos com os galegos, tais como dois acontecimentos históricos de grande relevancia na sua época, como são as relações de toda a Galiza com o reino franco e a crise religiosa provocada pela querela adopcionista, iniciada presumivelmente na época de Mauregato e que se prolongou nos reinados de Vermudo I e o próprio Afonso II. Dois factos históricos de soma transcendencia dos que falam os anais carolinxios e que silenciaram interesadamente os cronistas de Afonso III (866-910). Desta guisa, enquanto as Crónicas do ciclo afonsino agacham os contactos políticos establecidos entre os monarca galaicos e os carolinxios, as fontes francas confirmam a assistência de bispos de Galiza ao sínodo de Ratisbona no ano 782, e também ao concilio de Fráncfort, onde asistirón bispos de Italiae, Galliae, Gothiae, Aquitaniae, Galleciae [12] no ano 794 o de maior relevancia de todos os celebrados nos tempos de Carlomagno, pois nele tratou-se o tema do adopcionismo, que afectava à unidade religiosa de Ocidente. Ao mesmo tempo, os anais francos dão cumpridas novas do envio de embaixadas por parte de Afonso II o Casto, que é conhecido tanto nos Annales Regni Francorum assim como na Vita Karoli Magni como Hadefonsi regis Galleciae et Asturiae[13] é dizer, rei de Galiza e Astúrias ou mesmo coma Galletiarum principis[15] (príncipe das Galicias) segundo a Vita Hludovici e rex Gallaeciae[16] segundo o cronicón medieval de Hermann de Reichenau, escrito no século XI. Em todo o caso, as relações entre Carlomagno e este monarca deveram ser muito estreitas, pois o cronista Exinardo na Vita Karolis afirma que quando Afonso II enviava mensageiros ou cartas ao rei dos francos, queria ser chamado propriu sunn, é dizer, o seu vassalo. Contudo, o facto mais salientable é que no seu reinado producíuse a descoberta ou "invenção" da tumba de um dos doce apóstolos de Xesús Cristo, Santiago o Maior. Tal acontecimento sucedeu no lugar chamado Compostela, e da mão do bispo Teodomiro da diocese de Iria, com todo o ónus político-religiosa que este facto histórico tem nun momento no que a monarquia estava a necessitar de símbolos integradores. Na idade média "o culto a um santo bem podia ajudar a moldar um reino", e assim Afonso II decide construir uma igreja, que se bem não foi uma obra de grande envergadura, supunha a primeira pedra do que mais tarde seria a alfaia do románico europeu. Apesar do casual desta decuberta, a maioria dos historiadores contemporâneos vêem neste feito uma "invenção" com claros fins políticos assim coma religiosos, principalmente motivados pela crise religiosa do adopcionismo que conlevaría a criação de uma igreja nacional na Gallaecia, independente da mozárabe com sé em Toledo, da que estava ligada desde a fim do poder suevo em Braga. Os partidários desta postura opinam pois, que a invasão muçulmana foi o factor de base que explica a descoberta da tumba do apóstolo Santiago em Galiza, e não em Hispania; porque foi a antiga província romana de Gallaecia a única que ficou à margem da maré muçulmana que asolagou a Península Ibérica por volta do ano 711. De facto, esta descoberta ou "invenção" do sartego teve lugar no reinado de Afonso II (791-842), mas foi no período imediatamente predecessor quando se puseram as bases ideológicas do que ia ser, de contado, o achádego "casual" do edículo compostelán põe-lo bispo Teodomiro de Iria, entre o 818 e 847. Tanto Mauregato coma Vermudo I som contemporâneos da querela adopcionista, dos "Comentários à Apocalipse", atribuídos a Beato de Liébana, e da fabricação do primeiro Hino litúrxico específico em honor de Santiago, que se associa com o rei Mauregato através de um acróstico. editar A negação do reino da GalizaNa historiografia oficialcarece de fontes, e desde datas recentes da independência portuguesa, ficou incluído o reino da Galiza dentro do reino de Leão e posteriormente de Castela. Após a independência de Portugal em 1128 e a conformação da monarquia leonesa (posteriormente castelhano-leonesa), o reino da Galiza começaria a perder a sua influência progressivamente na proclamação dos reis ibéricos. Datas e factores decisivos para a perda de poder e influência na política dos reinos hispânicos por parte da nobreza galega foram:
editar O início duma maior dependênciaA execução do Mariscal Pardo de Cela por parte dos reis católicos nessas datas e o fracasso galaico-português na guerra pela sucessão entre Isabel a católica e Joana chamada a “Excelente Senhora” em Portugal e “a Beltraneja” em Castela. Nessa guerra pela sucessão, Pedro Álvares de Soutomaior, nobre galego, capitaneou a revolta de nobres galegos e portugueses (acompanhados do próprio Afonso V) para a coroação da rainha do seu partido, Joana. Estes dois factos, a perda da cabeça do Mariscal e o fracasso da revolta pela sucessão no reino da Espanha serviriam de argumento para uma historiografia galega como símbolo do fim duma etapa de capacidade de intervenção política e início da decadência do Reino da Galiza. Referências
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| All Right Reserved © 2007, Designed by Stylish Blog. |