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A Transição Espanhola é o período histórico no qual Espanha muda do regime ditatorial do general Francisco Franco, para o regime constitucional que consagra um Estado social, democrático e de Direito. No que respeita à duração exata processo de transição, alguns a enquadram dentro do período compreendido entre a proclamação de Juan Carlos I de Bourbon como rei da Espanha a 22 de Novembro de 1975 e a entrada em vigor da Constituição, 29 de Dezembro de 1978. Outros a colocam entre duas datas principais: 20 de Novembro de 1975, quando falece o ditador Francisco Franco; e em 28 de Outubro de 1982, em que deixa de governar a UCD, partido que promovera o câmbio de regime político e a aprovação da Constituição do 78, em cuja elaboração participou com três dos sete redatores. Porém, também é possível encontrar autores que situam o começo da transição na aprovação da Lei Orgânica do Estado em 1966 ou que prolongam a sua duração até as eleições de 1996 nas quais ganhou o Partido Popular. O período que acostuma ser considerado pelos historiadores iniciar-se-ia com a morte do General Franco, a 20 de Novembro de 1975. O denominado Conselho de Regência assumiu, de maneira transitória, as funções da Chefatura do Estado até 22 de Novembro, data na qual Juan Carlos I de Bourbon foi proclamado rei ante as Cortes. O rei manteve o Presidente do Governo do regime franquista, Arias Navarro. Porém, pronto se manifestaria a dificuldade de levar a cabo reformas políticas sob o seu Governo, o que produziria um distanciamento cada vez maior entre Arias Navarro e Juan Carlos I. Finalmente o Presidente do Governo apresentou a demissão ao rei a 1 de Julho de 1976. Arias Navarro seria relevado na Presidência do Governo por Adolfo Suárez, quem se encarregaria de entabular conversações com os principais líderes dos diferentes partidos políticos e forças sociais, mais ou menos legais ou toleradas, para instaurar um regime democrático na Espanha. O caminho utilizado foi a elaboração de uma nova Lei Fundamental, a oitava, a Lei para a Reforma Política que, não sem tensões, foi finalmente aprovada pelas Cortes e submetida a referendum o dia 15 de Dezembro de 1976. Como conseqüência da sua aprovação pelo povo espanhol, esta lei foi promulgada a 4 de Janeiro de 1977. Esta norma continha a derrogação tácita do sistema político franquista em somente cinco artigos e uma convocatória de eleições democráticas. Estas eleições foram celebradas a 15 de Junho de 1977. Eram as primeiras eleições democráticas desde a guerra civil. A União de Centro Democrático foi o partido mais votado (ainda que não atingisse a maioria absoluta) e foi encarregue de formar governo. A partir desse momento começou o processo de construção da democracia e da redação de uma nova Constituição. A 6 de Dezembro de 1978 foi aprovado em referendum a Constituição Espanhola, entrando em vigor a 29 de Dezembro. A princípios de 1981 demite Adolfo Suárez, devido ao distanciamento com o Rei e às pressões internas do seu partido. Durante a celebração da votação no Congresso dos Deputados para escolher como sucessor a Leopoldo Calvo Sotelo produziu-se o golpe de Estado dirigido por Antonio Tejero, Alfonso Armada e Jaime Milans del Bosch, entre outros. O golpe, conhecido como 23-F, fracassaria. As tensões internas da UCD provocariam a sua desintegração ao longo de 1981 e 1982. O segmento democrata-cristão terminaria integrando-se com Aliança Popular, passando assim a ocupar a faixa de centro-direita. Por outro lado, os membros mais próximos à socialdemocracia unir-se-iam às filas do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). O PSOE sucedeu a UCD após obter maioria absoluta nas eleições gerais de 82, ocupando 202 das 350 cadeiras, e começando assim a II Legislatura. Pela primeira vez desde as eleições gerais de 1936, um partido considerado de esquerdas ou progressista ia formar governo.
Visita a EE.UU de SS.MM os Reis da Espanha. Imagem da ceia de gala a 14 de Outubro de 1981 na Casa Branca junto ao presidente norte-americano Ronald Reagan e a sua esposa
editar Contextoeditar A Revolução dos Cravos
Monumento comemorativo em Grândola.
A 25 de Abril de 1974 em Portugal produzira-se um levantamento militar com sucesso, provocando a queda da ditadura do Estado Novo surgido em 1933 e dando origem a uma república presidencialista democrática. A situação de Portugal e da vizinha Espanha tinham muitas diferenças, mas também similaridades no momento de iniciar-se a transição democrática:
A queda do regime português provocou uma enorme inquietude nas forças que apoiavam o regime franquista, com manifestações multitudinárias em favor da revolução, a persecução da polícia política ou o entusiasmo pelos militares rebeldes, que eram situações que provocavam fortes reações repressivas. O Primeiro de Maio de 1974, mais de um milhão de pessoas marchou pelas ruas de Lisboa, dois dias depois Franco e o príncipe Juan Carlos visionaram as imagens, manifestando muita inquietude por um país que derivava para a esquerda com uma aparente grande presença dos comunistas. Contudo, a deriva quase revolucionária de Portugal e a crítica situação espanhola causou muita preocupação na Europa, por quanto sob a pressão da Guerra Fria dirigentes de muitos países pensavam que podiam desestabilizar o equilíbrio de poderes regional. Willy Brandt manifestou que quanto mais à esquerda situara-se Portugal, mais à direita posicionar-se-ia Espanha. Henry Kissinger expressou-se no mesmo senso e mostrou-se de acordo em que não deveria de repetir-se no país vizinho, não se devendo permitir que antes da morte de Franco não houvesse uma oposição moderada. Durante estes anos quando a Plataforma Democrática liderada pelo PSOE na Espanha começou a ganhar protagonismo com outras organizações opositoras (a Junta Democrática) lideradas pelo PCE. Finalmente ambas as organizações fusionaram-se em Março de 1976 criando Coordenação Democrática mais conhecida como a Platajunta. editar Outros acontecimentosDentro do período anterior à transição democrática também são destacáveis outros feitos como :
editar O papel político do Rei Juan Carlos IA morte de Franco converteu dois dias depois, a 22 de Novembro de 1975, em Chefe de Estado a D. Juan Carlos de Bourbon, proclamado como rei em virtude da Lei da Sucessão na Chefatura do Estado. Até então o príncipe mantivera-se num discreto segundo plano seguindo as pautas pontuadas por Franco. Mas o desaparecimento do geral ia permitir a Dom Juan Carlos facilitar, como rei da Espanha, a implantação de um sistema político democrático no país. Este projeto contava com amplos apoios dentro e fora da Espanha: os países ocidentais, um setor importante do capitalismo espanhol e internacional, a grande maioria da oposição ao franquismo e uma parte crescente do próprio regime franquista. Porém, a transição teve de superar as resistências geradas pelo próprio regime, num quadro de tensões causadas por grupos radicais da extrema esquerda e grupos franquistas da extrema direita. Estes últimos, aliás, contavam com um apóio considerável dentro do exército. Estes grupos ameaçavam com deteriorar a situação política em excesso, iniciando um processo de involução. A realização desse projeto exigia que a oposição controlasse os seus partidários para evitar qualquer provocação e que o exército não caísse na tentação de intervir no processo político para salvar as estruturas franquistas. Nesta dupla direção moveu-se a atuação política de Dom Juan Carlos e os seus colaboradores. Frente da nova etapa histórica que se abria, havia três posturas claramente diferençadas:
D. Juan Carlos iniciou o seu reinado sem sair da legalidade franquista. Assim, jurou fidelidade aos Princípios do Movimiento, tomou posse da coroa ante as Cortes franquistas e respeitou a Lei Orgânica do Estado de 1966 para a nomeação do seu primeiro Chefe de Governo. Contudo já no seu discurso ante as Cortes se mostrou aberto a uma transformação do sistema político espanhol. editar Governo de Arias NavarroEm meados de Novembro com Franco hospitalizado, Carlos Arias Navarro apresentou a sua demissão ao então príncipe, o que o situou numa posição difícil. A princípios de Dezembro D. Juan Carlos confirmou Arias Navarro para presidir o seu primeiro governo. O rei pediu-lhe ajuda, à que acedeu, para conseguir a nomeação de Torcuato Fernández Miranda à frente da presidência do Conselho do Reino e das Cortes. Para isso ajustou-se às pautas pontuadas pela Lei Orgânica do Estado em que o Conselho do Reino propôs uma terna de candidatos afins ao franquismo: além de Torcuato Fernández-Miranda, estavam Licinio de la Fuente e Emilio Lamo de Espinosa. Pelo que o rei conseguiu situar a este fiel colaborador seu à frente da presidência do Conselho do Reino e das Cortes. Fernández Miranda era um velho franquista que, porém, compartia com o monarca a necessidade de que Espanha evoluísse para um sistema democrático, e, para isso, achegará os seus sólidos conhecimentos jurídicos a este projeto.[1] A nomeação de Arias Navarro oferecia um panorama claramente continuísta e não augurava grandes transformações políticas. Contudo, por iniciativa real e do presidente do Conselho do Reino, entraram a fazer parte do novo governo ministros claramente reformistas como Manuel Fraga Iribarne (Governação), José María de Areilza (Assuntos Exteriores) e Antonio Garrigues (Justiça). Todos eles recusaram no seu momento o Estatuto de Associações do Movimento. Também contou com a presença do democrata-cristão Alfonso Osorio, em Presidência e de dois expertos no aparato do movimento: Rodolfo Martín Villa (Sindicatos) e Adolfo Suárez (Movimiento). Para manter o equilíbrio, um militar incondicionalmente franquista foi nomeado vice-presidente para assuntos de Defesa: o general Fernando de Santiago. A tímida reforma política promovida por este gabinete limitou-se às leis de Reunião e Manifestação, e de Associações Políticas. A lei de Reunião e Manifestação ampliava a liberdade para se reunir sem que fosse necessária uma autorização. A lei de Associações Políticas permitia a criação de grupos políticos, embora sem o caráter legal de partidos políticos; aliás, deviam aceitar os princípios do Movimiento e as "Leis Fundamentais". Somente se inscreveram sete associações. A situação que tinha de afrontar o novo governo era muito difícil. A agitação da oposição aumentava, as manifestações em pedido de anistia eram freqüentes e no País Basco a tensão crescia. ETA especialmente, e com menor intensidade outros grupos armados, prosseguiam com os seus atentados e o apóio popular com que podia contar manifestava-se em múltiplos atos de protesto. editar Acontecimentos de VitóriaDurante o mês de Janeiro cerca de seis mil trabalhadores iniciavam uma greve em Vitória contra o decreto de topes salariais e em defesa de melhores condições de trabalho. Dois meses depois convocavam por terceira vez uma greve geral que foi massivamente seguida a 3 de Março. Esse mesmo dia a Polícia Armada entrou na Igreja San Francisco de Vitoria, na que estava previsto realizar uma assembléia de trabalhadores e, não levando em conta a decisão do pároco e do conteúdo da Concordata, cominou ao desalojo. Apenas uns segundos depois disparavam gases lacrimogêneos num recinto fechado e abarrotado de gente criando indignação e sobretudo pânico. Os que saíram pela frente meio asfixiados e com panos na boca foram espancados brutalmente pelos flancos e dispararam contra os do frente com metralhadoras e pistolas. A polícia resolveu com tiros a situação que criaram, assassinando a quatro operários e estudantes. Dois meses depois faleceria outro trabalhador. Dois operários assassinados diretamente no lugar dos feitos, quatro feridos muito graves dos quais três faleceriam, mais de sessenta feridos graves, a metade com feridas de bala, e centos de feridos leves. O sábado, Manuel Fraga então Ministro da Governação com Rodolfo Martín Villa, Ministro de Relações Sindicais e o General Campano, diretor da Guarda Civil, intentavam, visitando aos feridos, reduzir o impacto de uma decisão que projetava frente do mundo o rosto mais cruel e bárbaro da ditadura que representavam. Aquela Quinta-Feira, o Secretário General do SPD da Alemanha cancelava a entrevista com Fraga, que participava numa campanha diplomática para vender internacionalmente uma reforma avaliada pela monarquia, que ficara automaticamente desmascarada. Ainda proibidos os direitos de reunião, manifestação e de greve, os sindicatos, ilegais também, em Janeiro convocaram greves em toda Espanha. Tiveram especial importância no cinturão industrial madrileno e em Vitória. A resposta do governo foi a habitual repressão policial, que em Vitória produziu quatro manifestantes mortos e vários centenas de feridos a 9 de Março durante uma carga anti-distúrbios. Em vez de solucionar o conflito, os altercados multiplicaram-se e as greves gerais de protesto seguiram-se durante vários meses. Estes incidentes aceleram a ação da oposição democrática, e a sua unidade de ação. A Junta Democrática e a Plataforma de Convergência fusionam-se na Coordenação Democrática ou Platajunta a 26 de Março. Esta nova junta exerce maior pressão política sobre o governo, exigindo anistia, liberdade sindical, democracia e recusa as leis reformistas. editar Acontecimentos de MontejurraEste ataque armado,[2] ocorrido em Montejurra a 9 de Maio de 1976, foi organizado desde o SECED (Serviço Central de Documentação) com o visto de aprovação governamental, utilizando uma das duas correntes políticas carlistas com a chamada "Operação Reconquista" que terminou com dois mortos frente da passividade e colaboração da Guarda Civil. Em Montejurra, monte sagrado do carlismo, celebrava-se anualmente um Via Crucis desde a década de 1940. Quando ia começar a procissão desde o mosteiro de Irache, um grupo de seguidores de Sixto de Bourbon atacaram com pedradas e golpes de porra aos reunidos ali, partidários de Carlos Hugo frente da impassibilidade da Guarda Civil e a Polícia Armada. Um dos agressores disparou uma pistola, matando um carlista. Pouco depois, já iniciada a ascensão ao monte, ao chegar ao acesso ao cume, os carlistas toparam com outro grupo armado que, após discutir veementemente, lançou uma série de tiros e rajadas contra os peregrinos. O resultado, um morto por uma bala no coração, e vários feridos por tiros. A oposição democrática acusou o Governo de conivência com os agressores baseando-se na incapacidade para manter a ordem pública apesar da ampla presença policial, a facilidade com a que escaparam os assassinos e o fato de não chegarem a ser submetidos a julgamento, pois beneficiaram-se da anistia política de 1977. editar A escalada do terrorismo: ETA, GRAPO e a ultra-direita.Os três principais grupos de terrorismo neste momento eram:
Por outro lado, os grupos da oposição mostravam-se cada vez mais impacientes exigindo o desmantelamento do regime franquista na maior brevidade possível. A reunião das forças políticas da oposição em Março de 1976 dá origem à criação de "Coordenação Democrática". Com isso a oposição boicotava as tentativas do governo de dividir a oposição, atraindo os seus setores mais moderados e deixando na ilegalidade o PCE, outros grupos da esquerda e os nacionalistas catalães e bascos. Assim mesmo, a oposição moderou o seu discurso, exigindo uma ruptura ou reforma pactuada que a acercava de fato às concepções reformistas do governo. Por outro lado, as limitações deste governo para liderar o câmbio político fizeram-se cada vez mais evidentes. Arias Navarro, muito sensível às pressões do búnker, encontrava-se com pouca margem de manobra ante os elementos reformistas do seu gabinete, enquanto estes topavam com as cortes franquistas nas suas primeiras tentativas reformistas: em Junho de 1976, após publicar-se a "Lei de direito de associação de partidos políticos" -da qual ficavam excluídos os partidos comunistas-, foi frustrada a tentativa de Fraga e Areilza de modificar o Código Penal, que considerava delitiva a afiliação a qualquer partido político. Embora as pressões de Fernández Miranda permitissem a sua aprovação o dia 30, o processo para um câmbio de governo tornou-se inevitável, e o mesmo Rei, depois de ter-se declarado durante uma viagem aos Estados Unidos plenamente favorável à implantação de um sistema democrático na Espanha, decidiu exigir a demissão a Carlos Arias a 5 de Julho. O rei forçou a demissão de Arias Navarro a 1 de Julho, pela sua incapacidade para se enfrentar aos graves problemas de ordem pública (terrorismo, greve massiva de Vitória, acontecimentos de Montejurra), bem como a sua negativa a desmontar o regime franquista. editar Governo de Adolfo SuárezFoi Torcuato Fernández Miranda, como presidente do Conselho do Reino, que conseguiu que na nova terna de candidatos à presidência do governo entrasse Adolfo Suárez González e a ele corresponder-lhe-ia realizar uma operação política de evidente dificuldade: convencer aos políticos do sistema franquista instalados nas Cortes para que desmantelaram tal sistema. Desta maneira respeitava-se formalmente a legalidade franquista e esquivava, no possível, o perigo de uma intervenção do exército no processo de transição. Do novo governo auto-excluíram-se Fraga e Areilza, enquanto a representação militar permanecera invariável. Vários dos novos ministros pertenciam já a associações políticas amparadas pela nova lei. Adolfo Suárez apresentou a 6 de Julho por televisão um programa político muito claro baseado em dois pontos:
Para lográ-lo, Suárez devia convencer à oposição para que entrara no seu jogo e ao exército para que não interrompera o processo, ademais tinha de controlar a situação no País Basco, que se estava fazendo insustentável por dias. Mas apesar de tudo, o projeto de Suárez foi-se aplicando sem dilações entre Julho de 1976 e Junho do seguinte ano. editar Programa político de SuárezNeste breve período de tempo Suárez atuou em vários frentes para realizar o seu projeto reformista: editar A Lei para a Reforma PolíticaO projeto elaborou-se pelo governo em Setembro, tinha de abrir a porta um sistema de democracia parlamentar. Não concretizava como viria a ser o novo sistema político, simplesmente eliminava os obstáculos que oferecia o regime franquista à implantação de um sistema democrático. Vinha a ser, na realidade, a ata de liquidação do franquismo aprovada pelas próprias Cortes franquistas. Ao longo do mês de Novembro a lei foi debatida pelas Cortes que, sob a presidência de Fernández Miranda, aprovaram-na por 425 votos a favor com 59 votos contra e 13 abstenções. O governo quis legitimar esta operação submetendo a nova lei a um Referendum, no que participará 77,72% do censo eleitoral, do qual 81% dos participantes deram a sua aprovação. A partir deste momento podia-se abrir já o processo eleitoral, segundo ponto do programa de Suárez, para escolher os deputados das Cortes Constituintes encarregadas de elaborar uma nova Constituição. Tinha um problema importante, a participação da oposição clandestina no processo que já estava em marcha pelo próprio regime, para isso foi enfrentada a um dos temas mais delicados, a legalização da oposição. A 8 de Fevereiro é aprovado um decreto lei para a Reforma Política e posteriormente em Março é legalizada grande parte dos partidos políticos com outro decreto lei onde se estabelecem os requisitos para a sua legalização. Caso dúvidas, o Ministério de Interior remitiria a documentação ao Tribunal Supremo para que ditasse. Também houve que reformar o Código Penal, que considerava sancionáveis questões básicas como a pertença a partidos políticos, e proibia associar-se aquelas que pretenderam:
Com estes câmbios, os partidos ou organizações mais importantes ficaram legalizados:
O PCE teve de recorrer ao Tribunal Supremo, de maneira que quando ditou que não contravinha a legalidade, o Governo após pactuar com o seu líder Santiago Carrillo Solares, que tinha já aceite abandonar a restauração de uma República aceitando a monarquia, aproveitou as vacações de Semana Santa para o legalizar, dissolver o partido único da ditadura, o Movimiento Nacional, e minimizar o impacto da decisão. Ainda assim, o Ministro da Marinha demitiu imediatamente e Manuel Fraga adiantou-se a considerá-lo como um verdadeiro golpe de Estado. O dia com certa ironia foi chamado o Sábado Santo Rojo (a festividade é de caráter católico, e o comunismo propugna o ateísmo ou o agnosticismo). Dois dias depois foi legalizado o Partit Socialista Unificat de Catalunya (PSUC). Outros partidos relevantes seriam Esquerra Republicana de Catalunya (ERC), de ideologia também de corte nacionalista catalã e republicana, que já governou na deposta Generalitat de Catalunha durante a Segunda República; Euskadiko Ezquerra (EE), marxista e nacionalista basco, do antes grupo terrorista de ETA político militar, que anos depois se integraria no PSOE.
editar O Governo e a oposiçãoPara dar credibilidade ao seu projeto, adota uma série de medidas políticas. Em Julho de 1976 houve uma anistia política parcial ampliada em Março do ano seguinte e total em Maio. Em Dezembro de 1976 dissolve-se o Tribunal de Ordem Pública. Em Março do ano seguinte legaliza-se o direito básico de greve e em Abril é decretada a liberdade sindical. Também se promulga uma "Lei Eleitoral" com as condições necessárias para se homologar com as dos países com um sistema de democracia liberal e parlamentar. Com todas estas medidas Suárez ia cumprindo as condições que exigiam os grupos da oposição de 1974. Estas forças reuniram-se em Novembro de 1976 para criar uma plataforma de organizações democráticas. Suárez iniciara os seus contatos políticos com a oposição entrevistando-se com Felipe González, Secretário General do PSOE, em Agosto. A atitude possibilista do líder socialista deu alas a Suárez para levar adiante o seu projeto político, mas todo o mundo percebia claramente que o grande problema para a normalização política do país viria a ser a legalização do PCE. Este constituía, naquele momento, o grupo político mais organizado e com maior número de militantes da oposição, mas numa entrevista com as autoridades mais destacadas do exército em Setembro manifestaram claramente a sua oposição frontal à legalização do PCE. O PCE cada vez era mais em favor de denunciar a Lei para a Reforma Política por antidemocrática e solicitar as eleições para as Cortes Constituintes convocadas por um Governo provisório composto também pelos partidos políticos na oposição. Dado que além disso, a oposição não manifestava nenhum entusiasmo pela Lei para a Reforma Política, Suárez arriscou-se ainda mais para envolver a maioria das forças políticas. Em Dezembro, o PSOE celebrava em Madrid o seu XXVII Congresso e começava a desmarcar-se das exigências do PCE, afirmando que pensava participar na próxima convocatória eleitoral para as Cortes Constituintes. Ao começar o seguinte ano, o ano previsto para convocar eleições gerais, Suárez foi decidida a abordar o problema do PCE. Em Fevereiro entrevistou-se com Santiago Carrillo, Secretário Geral do PCE, que apoiou sem exigências prévias e disposto a oferecer um pacto social para o período posterior às eleições. A 24 de Janeiro de 1977 produz-se a Matança de Atocha, o atentado mais significativo da extrema direita a um escritório de Direito Laboral vinculado ao Partido Comunista de Espanha da madrilena Rua de Atocha, onde assassinam a tiros a cinco de eles e feriram de gravidade a outros quatro. Este fato provocou a primeira manifestação multitudinária da esquerda no país desde a Segunda República, e depois dezenas de atos de caráter pacífico de simpatia e solidariedade com o partido comunista. Isto e a atitude mantida por Santiago Carrillo, pressionaram a Suárez para levar a cabo a polêmica legalização do partido. editar O Governo e o exércitoAdolfo Suárez conhecia bem que o chamado búnker, entre outros formado por José Antonio Girón e Blas Piñar e como meio afim o jornal El Alcázar, e tinha muito bons contatos com oficiais do exército que exerciam uma evidente influência sobre importantes setores militares. Estas forças podiam constituir um obstáculo insuperável e mesmo um perigo de golpe de estado para a reinstalação de um regime de governo militar. Para salvar esta dificuldade, Suárez tentou apoiar-se em militares liberais do círculo do general Díez-Alegría, aos que tentou colocar em postos de responsabilidade, como o general Manuel Gutiérrez Mellado. Mas em Julho de 1976 o vice-presidente para assuntos da defesa era ainda o General Fernando de Santiago que pertencia ao núcleo mais imobilista. De Santiago, inquieto pela primeira anistia, opôs-se frontalmente em Setembro à Lei de Liberdade Sindical. A 21 de Setembro Suárez destituiu a De Santiago e nomeou no seu lugar ao General Manuel Gutiérrez Mellado, o que lhe ocasionou numerosos inimigos e oposição que se agravaria com a legalização do PCE meses mais tarde, com a demissão imediata do Ministro de Marina. Mas, entretanto, Gutiérrez Mellado agia com habilidade para promover os oficiais partidários da reforma e para substituir os mandos das forças de segurança (Polícia Armada e Guarda Civil) mais partidários de conservar o regime. Suárez queria demonstrar ao exército que a normalização política do país não implicava nem a anarquia nem a revolução, contava com a colaboração de Santiago Carrillo mas encontrava violentas respostas de diferentes grupos terroristas. editar O acréscimo do terrorismoO País Basco manteve-se, ao longo de tudo este período, em plena ebulição política. As reivindicações de anistia política, em especial a semana pro-anistia do 8 ao 15 de Maio em que faleceram sete pessoas pela repressão,[3] obrigaram Adolfo Suárez a i-la concedendo em diferentes etapas até a anistia total de Outubro de 1977. Mas os confrontos contínuos entre polícia e manifestantes não ajudavam precisamente a serenar os ânimos. ETA, depois de uma certa trégua no verão de 1976, prosseguiram os seus atentados em Outubro. Mas foi, sobretudo, entre Dezembro e Janeiro quando se desencadeou um conjunto violentas ações que deixaram a situação social e política numa posição muito instável. O GRAPO atuou com várias bombas e o seqüestro de duas importantes pessoalidades do regime: o Presidente do Conselho de Estado, José María de Oriol, e o General Villaescusa, Presidente do Conselho Superior de Justiça Militar. Enquanto duravam estes seqüestros, produz-se a Matança de Atocha, um comando da ultra-direita mata a cinco advogados do PCE em Madrid. Vários dias antes morreram dois estudantes durante diferentes manifestações por polícias antidistúrbios. Mas pela primeira vez, boa parte dos líderes da oposição reunidos com o Presidente do Governo, publicaram um comunicado de denúncia do terrorismo e de apóio à atuação de Suárez. Que porém, as forças do búnker aproveitaram-se da inquietude do momento para denunciar que o país se estava precipitando no caos. editar As eleiçõesAs eleições gerais de 15 de Junho de 1977 deram a representação a quatro partidos políticos, os três primeiros de ideologia reformista ou progressista, primariamente: UCD 31,1%, PSOE: 28,6%, PCE: 9,4% e o partido conservador AP com apenas 8,5%. Destacaram o forte apóio local de partidos nacionalistas, especialmente na Catalunha com o bloco PDC e País Basco com o PNV. editar Os governos de UCDO partido ganhador, UCD, formou governo durante duas legislaturas, em Junho de 1977 e Março de 1979, mas teve de contar com o apóio ou o beneplácito de outros partidos ao não contar com a maioria absoluta de cadeiras no Parlamento. editar Os regimes pré-autonômicos: Catalunha, País Basco e Galiza.Depois das eleições, com os resultados na Catalunha e País Basco, o governo permitiu a criação de instituições pré-autonômicas. Concedeu autonomia provisória às regiões cujos deputados, constituídos em assembléias parlamentares, assim o solicitaram. Era o primeiro elo da estrutura territorial que já estava pactuada na nova Constituição. A primeira pré-autonomia concedida foi a da Catalunha, a 29 de Setembro foi restabelecida a Generalitat da Catalunha e Josep Tarradellas, histórico político nacionalista no exílio, converteu-se no seu novo Presidente a 23 de Outubro. No País Basco, a situação política era dominada pelo PNV, que reclamava incorporar a Navarra à autonomia formada por Biscaia, Guipúscoa e Álava, com a distorção de ETA. A assembléia de parlamentares bascos, na que se negaram a participar os navarros, negociou com o Governo a criação de um Conselho Geral Basco, aprovado a 6 de Janeiro de 1978. Em Navarra os acontecimentos dos sanfermines de 1978, entre outros acontecimentos marcaram o seu futuro político[4] Na Galiza, com maioria da UCD, somaram-se à pré-autonomia com a criação da Junta da Galiza, em Março de 1978. editar Cortes constituintes: a constituição de 1978O novo Parlamento criou um grupo de relatores (ponencia) para trabalhar na redação de uma nova Constituição no verão, com o consenso das principais forças políticas em temas tais como o papel do exercito, os direitos históricos, a situação de Navarra. Em Julho de 1978 o Congresso dos Deputados aprovava o texto constitucional por uma ampla maioria, incluindo os conservadores de Aliança Popular e o PCE. Alguns partidos de extremos votaram contra e outros como o PNV, que fora excluído da ponenciaconstitucional em que pese a ser majoritário no País Basco, pediram a abstenção. A Constituição foi aprovada em sessão conjunta pelo Parlamento e o Senado no mês de Outubro. A 6 de Dezembro foi submetida a Carta Magna a referendum com uma aprovação majoritária, excetuando algumas províncias e o País Basco onde se obteve uma importante abstenção. A tarefa ordinária de governo que teve de realizar o partido de 1979 deu ao manifesto a existência de tendências ou correntes políticas muito diversas dentro da coligação de partidos de UCD. Isto fora provocando confrontos que desgastaram a autoridade de Adolfo Suárez e puseram em dúvida o seu liderado. A tensão estourou a partir de 1981 com a demissão de Suárez como Presidente do Governo e a sua substituição por Leopoldo Calvo Sotelo à frente de uma reforma do governo. Suárez abandoa o partido por parte dos socialdemocratas de Fernández Ordóñez e pela nomeação de Calvo Sotelo como novo presidente do partido. Isto acentuou ainda mais as tensões internas e impôs a Calvo Sotelo a dissolver o Parlamento e convocar eleições em Outubro de 1982. Com as históricas eleições gerais de 1982, a UCD sofre um espetaculoso derrube em número de votos, cambiando todo o equilíbrio político anterior. A normalização democrática não evitou as contínuas ações violentas de ETA e, em menor escala, do GRAPO. editar Tentativa de Golpe de Estado de 23 de Fevereiro de 1981Paralelamente à crise da UCD, detectava-se uma situação de desassossego ou intranqüilidade numa parte das Forças Armadas que podia terminar num golpe militar. O golpe de estado de 1981, a tarde do 23 de Fevereiro por um grupo de guardas civis dirigidos pelo tenente coronel Antonio Tejero não conseguiu provocar um Governo militar, mas mostrou o perigo real de um setor do exército. editar Governo do PSOEAs eleições de Outubro de 1982 deram a maioria absoluta pela primeira vez ao PSOE, que fora durante duas legislaturas o principal partido da oposição nos governos da UCD. No XXVIII Congresso do PSOE (Maio de 1979) o seu Secretário Geral, Felipe González, não quis assumir as tendência marxista que parecia dominante no partido, pelo qual apresentou a demissão. Mas a convocatória de um congresso extraordinário meses depois permitiu reconduzir o partido para uma linha mais moderada e ele assumir de novo o cargo. Ao longo de 1982 o PSOE confirmou a sua linha moderada que aproximou ao grupo socialdemocrata de Fernández Ordoñez, recém cindido da UCD. A obtenção da maioria absoluta em três processos eleitorais consecutivos (1982, 1986 e 1989) permitiu o PSOE legislar e governar sem ter de pactuar com outras forças políticas. O triunfo eleitoral do PSOE em 1982 (com mais de 10 milhões de votos) inaugurou uma etapa de governo socialista, com quatro legislaturas, que transformou profundamente a Espanha. Felipe González, secretário geral do PSOE, ocupou a Presidência do Governo, com Alfonso Guerra como durante muito tempo Vice-presidente do Governo, até a sua demissão pela implicação do seu irmão num caso de corrupção política. Durante o governo do PSOE produzir-se-ia a integração na Comunidade Econômica Européia (CEE), as reformas laborais com novos convênios normativos entrados em consenso entre patronal e trabalhadores, as inversões sociais (especialmente em Educação e Sanidade), o desenvolvimento da organização territorial autonômica e a modernização das infra-estruturas. Foi levada a cabo a "reconversão industrial", um conjunto de políticas de reconversão do setor secundário, num contexto de saída da crise de 1973. Esta reconversão fora adiada na Espanha, pelo temor à conflitividade social derivada, com a coincidência do começo da Transição. O desgaste da imagem pública do partido, nas duas últimas legislaturas, foi devido a uma série de fatores, como as duas greves gerais dos dois principais sindicatos, bem como à crise econômica em 1993. Também apareceriam os autodenominados Grupos Antiterroristas de Libertação (GAL), organizações ilegais dedicadas à luta contra o terrorismo e herdeiras do terrorismo de Estado tardo-franquista. Finalmente saíram à luz vários casos de corrupção de vários cargos públicos adscritos ao PSOE, entre os que destacaram os chamados Caso Filesa e Caso Roldão. Após uns últimos anos de contínuo desgaste social e político, nas eleições gerais de 1996 o principal partido da oposição, o Partido Popular liderado por José María Aznar, consegue a maioria simples. editar Comunidade Econômica EuropéiaUma vez assegurada a democracia, os principais países europeus aceitaram a sua integração na CEE, após vinte anos da primeira petição. As negociações foram rápidas e conseguiram que Espanha fora membro em cheio direito na CEE, atualmente denominada União Européia, desde a 1 de Janeiro de 1986. editar OTANNos últimos momentos do governo UCD, Calvo Sotelo conseguiu que o Parlamento autorizasse o ingresso da Espanha na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A 10 de Dezembro de 1981 firmava-se em Bruxelas o protocolo de adesão, com 43% de espanhóis contra, segundo algumas pesquisas de opinião. O PSOE, quando ganha as eleições, paralisa o ingresso e promete um referendum para tirar a Espanha da aliança militar. Contudo, forme passam os anos, muda a sua posição ao dar-se conta que é requisito para uma plena incorporação da Espanha ao bloco ocidental e europeu. Em Março de 1986, celebra o referendum com um resultado favorável à adesão. editar EducaçãoA aplicação do direito constitucional à educação guiou o trabalho do governo. No ensinamento universitário, a Lei de Reforma Universitária de 1983 concedeu autonomia de gestão às universidades, facilitou a criação de universidades privadas e ampliou o número de matriculados graças à quase gratuidade de matrículas e a uma ampla política de becas. No ensinamento secundário e primário, foi garantida a escolarização obrigatória para toda a população menor de 14 anos de 1985 e de 16 anos desde a entrada em vigor da LOGSE em 1990. O governo creia um sistema educacional de três vias: educação pública, educação privada, e colégios concertados cuja gestão recai numa empresa ou organização privada, mas a despesa dos alunos é paga pelo Estado, para assim tentar oferecer a maior taxa de escolaridade possível. editar EconomiaA crise econômica, iniciada em parte por fatores internos e externos como a crise do petróleo de 1973, reativada em 1979, criara uma situação de recessão industrial, com fábricas ou maquinaria obsoletas e setores industriais deficitários. Para o trabalhador supunha o paro (até 20 % em 1985), a subida contínua dos preços (até 25% anual de inflação). A reconversão industrial foi aplicada à indústria naval, a siderurgia e a indústria têxtil, setores defasados em tecnologia, mal situados geograficamente e escassos de competitividade frente aos produtos europeus e asiáticos. Nos primeiros momentos, o ajuste incrementou o cerre de fábricas e o despido de trabalhadores, crescendo o descontente social contra um governo socialista que agia, em princípio, contra os interesses da classe operária. A reforma fiscal perseguiu a economia submergida ou o dinheiro negro, e criou-se o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) comum no restante de países europeus, aumentou a pressão fiscal sobre as rendas do trabalho e do capital com o fim de conseguir mais recursos e sanear o Estado. Para controlar a inflação, o governo restringiu a circulação de capital, com altos tipos de interesse bancário, e moderou o crescimento salarial. Isto finalmente terminou numa bem-sucedida greve geral contra o governo do PSOE a 14 de Dezembro de 1988 com os dois principais sindicatos na cabeça, UGT e CCOO. editar Infra-estruturasA necessidade de modernizar as obsoletas infra-estruturas lançou o governo a uma importante despesa pública. De 1985, a rede de rodovias melhorou ao duplicar-se o comprimento de rodovias (mais de 7.000 Km), a ferrovia evolucionou para serviços mais modernos e com maior rentabilidade e com a aposta da Alta Velocidade Espanhola (AVE) entre Sevilha e Madrid, com projetos para no futuro estendê-lo até Barcelona, Valência, Alicante ou Múrcia). editar Ver também
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